Somos todos vítimas da guerra; somos todos vítimas do clima

O desastre humanitário da guerra na Ucrânia se soma à crise climática global que os países precisarão resolver para garantir o futuro das novas gerações

Crédito: Daniel Mihailescu / AFP

ONU estima que o número de refugiados ucranianos chegará a 5 milhões, um componente social inesperado que torna mais complexo o caminho da necessária descarbonização da economia global até 2050 (Crédito: Daniel Mihailescu / AFP)



Os últimos dez dias não foram fáceis para cidadãos minimamente conscientes. Com a invasão da Ucrânia pela Rússia uma inesperada crise social está se formando no mundo, no mesmo momento em que os países já patinavam para lidar com uma crise climática sem precedentes, como apontou o novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) divulgado na segunda-feira (28). E agora? A única resposta possível neste momento é que nesta realidade não há dilema como o do ovo e da galinha: será necessário lidar com as duas crises com a mesma urgência e ao mesmo tempo.

Sobre a invasão, a profundidade das consequências do conflito ainda são incertas. De fatos já consumados há ao menos 800 mil ucranianos refugiados (a ONU estima que chegarão a 5 milhões); uma nação socioeconomicamente devastada; e o preço de algumas commodities em forte altas como o barril de petróleo do tipo Brent, que ultrapassou os US$ 110, o valor mais alto dos últimos dez anos. Mas os indícios do que pode vir a acontecer são ainda mais graves e passam pela segurança alimentar do planeta.

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Se a guerra se estender, não há como mensurar o tamanho do impacto na produção global de fertilizantes, trigo e milho — commodities que têm o estoque mundial em grande parte abastecido pelos dois países em conflito. Trigo é a base da alimentação humana; milho é a base da alimentação de bovinos, suínos e aves; e fertilizantes, a base da alimentação de qualquer mercadoria agrícola. Ainda que, em uma visão bastante otimista, a produção dessas commodities nos dois países não seja afetada, os preços serão. Pressionada pelo aumento dos custos de produção agrícola, do frete, da energia e de um provável desequilíbrio entre oferta e demanda, a inflação de alimentos é tida como certa por especialistas e deve agravar o número de pessoas que vivem em déficit nutricional e que hoje já somam 116,8 milhões no mundo.



Diante de tamanho desastre humanitário, falar em ESG parece pouco relevante? Bem, antes de responder a pergunta vale uma olhada no relatório ‘Mudanças Climáticas 2022’ recém-divulgado pelo IPCC. De acordo com o documento, entre 3,3 bilhões e 3,6 bilhões de pessoas vivem em contextos que são altamente vulneráveis à mudança climática. Um dos principais problemas está relacionado à disponibilidade de água. Com o aumento da temperatura do planeta em 2ºC, áreas hoje habitáveis e produtivas se transformarão em desertos; cidades litorâneas e ilhas desaparecerão do mapa; e a perda global de massa de geleiras diminuirá a disponibilidade de água para a agricultura, energia hidrelétrica e assentamentos.

Há ainda outro pormenor que liga as duas pontas: com a guerra, países que estavam avançando em suas metas de descarbonização talvez tenham que retroceder seja para garantir alimentos, energia ou combustível e assim garantir a sobrevivência da sua população no curto prazo. E assim, de maneira até justificável, deixarão para resolver problemas que seriam de longo prazo para quando já não houver tempo para resolvê-los.







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