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Socialistas x Fujimori: eleição do Peru se encaminha para 2º turno polarizado

Socialistas x Fujimori: eleição do Peru se encaminha para 2º turno polarizado

Pedro Castillo do lado de fora de local de votação em Cajamarca, no Peru

Por Marco Aquino

LIMA (Reuters) – O Peru está a caminho de um segundo turno presidencial polarizado entre os socialistas em ascendência no país andino, impulsionados pelo descontentamento do eleitorado com a economia e a pandemia, e a herdeira conservadora da poderosa e polêmica dinastia Fujimori.

O primeiro turno do domingo deu uma guinada surpreendente quando o socialista Pedro Castillo, líder sindical e professor primário de 51 anos praticamente desconhecido antes do dia da eleição, assumiu a dianteira da apuração.

Nesta segunda-feira, a contagem oficial mostrava Keiko Fujimori, filha do ex-líder atualmente preso Alberto Fujimori que enfrenta alegações de corrupção, subindo para a segunda colocação, o que a colocaria ao lado de Castillo na segunda votação em junho.

Os dois candidatos são polarizadores por razões diferentes. Castillo pretende reescrever a Constituição e levar o segundo maior produtor mundial de cobre com força para a esquerda. Fujimori enfrenta um inquérito sobre uma suposta lavagem de dinheiro em decorrência do qual procuradores estão pedindo uma pena de 31 anos de prisão. Ela nega as acusações.

“Se votarmos em Keiko, voltaremos às velhas coisas de sempre”, disse Luis Rojas, um eleitor de Lima, referindo-se à revolta dos cidadãos com a corrupção da elite política. Ele tampouco está convencido a respeito de Castillo, que disse ser um “comunista”.

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“Se votarmos em Pedro Castillo, isto mudará todo o Peru”.

Alberto Ramos, do Goldman Sachs, escreveu depois da eleição que nenhum instituto de pesquisa previu um segundo turno com Fujimori e Castillo por este parecer tão improvável, acrescentando que ambos têm muitos críticos.

Castillo, cujo partido Peru Livre se descreve como “esquerda socialista”, emergiu da obscuridade relativa. Em pesquisas pré-eleitorais feitas um mês atrás, ele aparecia com menos de 4% das intenções — longe dos seis principais concorrentes em que a maioria das sondagens se concentrou.

Mas sua ascensão foi rápida nas últimas quatro semanas, e pesquisas de boca de urna mostraram um apoio forte às suas propostas em áreas pobres do país atingidas duramente pela pandemia de coronavírus.

A surpresa pode criar um incentivo para os investidores em um país que, embora politicamente turbulento há tempos, é um dos mercados mais estáveis e confiáveis da região e atrai influxos para seus títulos e sua moeda, o sol.

Os políticos estão na alça de mira. Outrora popular, o presidente Martín Vizcarra sofreu um impeachment no Congresso no ano passado devido a alegações de corrupção, e seu sucessor renunciou pouco depois na esteira de protestos de rua fatais quando muitos pediram uma reforma da classe política.

(Por Marco Aquino em Lima e Tom Arnold em Londres)

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