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Maior banco brasileiro, o Itaú Unibanco dá grande exemplo nesses dias de pandemia, com doação de R$ 1 bilhão para ações de combate ao coronavírus no País.

Crédito:  Leandro Fonseca

No Brasil, a palavra “banco” constuma ser relacionada a juros altos e lucros estratosféricos. Mas um gigante do setor acaba de dar um belo exemplo. Em meio à pandemia do coronavírus, com parte dos trabalhadores em casa, sem rendimento (muitos recém-demitidos) e com boletos a vencer, chamou a atenção o anúncio do Itaú Unibanco, feito na segunda-feira 13, da doação de R$ 1 bilhão para utilização no combate à Covid-19. Trata-se da maior ação filantrópica de uma instituição financeira na história do País, sem contar outros R$ 250 milhões em iniciativas que envolvem suas fundações e institutos. Juntos, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander – os três maiores bancos privados do Brasil – e demais empresas do setor contribuíram até agora com R$ 1,5 bilhão. “Houve a constatação de que o Brasil atravessa uma crise gravíssima, que traz impactos econômicos para todos, mas que é, antes de tudo, uma crise na saúde pública, que ameaça diretamente o bem-estar e a vida das pessoas”, diz o presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, à DINHEIRO, ao explicar a razão da iniciativa tomada pela empresa. O montante doado pelo Itaú Unibanco, que corresponde a pouco mais de 3% do lucro líquido de R$ 28,4 bilhões da instituição em 2019, será repassado ao programa Todos pela Saúde, criado pelo banco e que tem à frente um grupo de especialistas liderado pelo diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês, Paulo Chapchap, responsável por definir onde a quantia será aplicada.

Segundo o anúncio do banco, parte desse valor deve ser direcionado, por exemplo, à compra de ventiladores mecânicos, respiradores, máscaras, álcool gel e de equipamentos para os hospitais de campanha Pacaembu e Anhembi, ambos em São Paulo. “Nunca houve um engajamento tão grande de empresas em torno de uma causa, como estamos vendo neste momento”, afirma Bracher.

Professor de finanças e mercado da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), George Sales vê como “louvável” essa iniciativa e espera que seja seguida por outras instituições. “Ajudar neste tipo de situação pode melhorar a economia na sua recuperação futura. Os esforços dos bancos são para minimizar o impacto que isso vai causar: nas vidas das pessoas e na economia”, diz Sales. Segundo ele, essa situação pode jogar contra o próprio banco, que fornece muito crédito e as pessoas vão ter dificuldade para pagar. “Então, em vez de aumentar o provisionamento para perdas, é preferível fazer doação sistemática para auxiliar no combate à doença. As doações acabam sendo mais baratas do que deixar o pessoal da Saúde na mão.”

INCENTIVO Além da doação recorde, o Itaú investiu em campanha para valorizar o trabalho dos profissionais da saúde. “Nunca houve engajamento tão grande das empresas em torno de uma causa, como estamos vendo neste momento”, diz Candido Bracher, presidente do banco. (Crédito:Divulgação)

CRÍTICAS Apesar das doações e da promessa de ajudar os clientes a enfrentar a crise econômica decorrente da pandemia, o setor financeiro tem sido alvo de críticas dos consumidores. Algumas instituições, desde o início da pandemia, foram acusadas de aumentar as taxas para empréstimos usados, para manter os negócios e de dobrar os juros em algumas operações. A intenção seria dificultar a liberação de crédito e, assim, evitar inadimplência. Ciente da situação, o Banco Central reforçou o caixa dos bancos em R$ 1,2 trilhão e diz monitorar ações para constatar problemas nos repasses. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirma que as instituições já negociaram entre R$ 130 bilhões e R$ 150 bilhões em empréstimos. “Os bancos estão receosos de fazer novos créditos por causa da inadimplência. Se a instituição emprestar essa quantia e tomar calote, tem www de devolver para o Banco Central com a taxa de juros combinada. Não é dinheiro a fundo perdido”, explica o especialista da Fipecafi.

A falta de crédito é uma das preocupações da Serasa, que analisa pessoas físicas e jurídicas com dívidas. A Serasa constatou inadimplência de 6 milhões de micro e pequenas empresas em janeiro. Pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apontou que quase 90% desses estabelecimentos já apresentam queda de faturamento na quarentena, alguns tendo de suspender o funcionamento à espera do fim do isolamento. Para agravar o cenário, a provável retração do Produto Interno Bruto (PIB) em até 5%, este ano, faz aumentar a preocupação com o desemprego. Estimativas mais pessimistas apontam que o índice de desemprego pode subir de 11,6% para 16,1% neste trimestre, segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas. Se confirmada, elevaria de 12,3 milhões para 17 milhões o número de pessoas sem trabalho no País.

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