Finanças

Seu dinheiro pelo telefone

Em mais uma frente de competição com os bancos, Operadoras de telefonia passam a oferecer produtos financeiros para suas gigantescas bases de clientes.

Crédito: Evandro Rodrigues

Dez entre dez bancos e fintechs usam a enorme base de telefones celulares no Brasil para distribuir seus produtos e serviços. Pagar contas, fazer investimentos, transferir dinheiro e até mesmo contratar empréstimos. Nesse último item, o sistema financeiro ganhou um concorrente de peso. As operadoras de telefonia resolveram entrar nesse mercado. Após meses de preparação e testes, a Vivo lançou a ofensiva mais recente. Na segunda-feira (19) ela inaugurou o Vivo Money, que oferece empréstimos de R$ 1 mil a R$ 30 mil com juros de 1,99% a 9,99% ao mês para os clientes dos planos Controle e Pós-pago.

Compensa? A reportagem da DINHEIRO simulou o pedido de um financiamento de R$ 10 mil. O tomador, um aposentado, possui R$ 12 mil de patrimônio e uma renda mensal de R$ 3 mil. Os juros cobrados foram de 2,99% ao mês. No pagamento em menor prazo, seis meses, foram cobradas parcelas de R$ 1.843, totalizando R$ 11.062. No prazo mais longo possível, as 21 parcelas de R$ 647 somaram R$ 13.585. Os juros cobrados estão em linha com os dos empréstimos consignados. Ainda aque não ofereça uma vantagem perceptível para o tomador, os planos da Vivo são ambiciosos. “Dos 45 milhões de CPFs na nossa base de clientes, achamos que 10 milhões têm potencial para tomar empréstimos”, disse o diretor da Vivo Money, Sandro Sinhorigno. O Vivo Money é oferecido em parceria com outras empresas. Os recursos para a concessão de empréstimos são obtidos junto a um fundo de recebíveis, o Vivo Money Fidc, gerido pela Captalys Gestão, e administrado pela BRL Trust Investimentos. O patrimônio ainda é modesto, R$ 1,975 milhão, integralmente investido em títulos públicos federais.

PLANO AMBICIOSO O diretor da Vivo Money, Sandro Sinhorigno, avalia que dos 45 milhões de CPFs da base de clientes, cerca de 10 milhões têm potencial para tomar empréstimos. O objetivo da operadora é se tornar um hub digital. (Crédito:Divulgação)

Além da Vivo, as demais operadoras querem explorar ao máximo o tamanho e a capilaridade de suas bases de clientes. “O auxílio emergencial está ajudando muitas pessoas, mas ele vai acabar. O momento é de boa demanda por crédito”, disse Sinhorigno. A Vivo estuda oferecer empréstimos também para os clientes dos planos pré-pagos e outros serviços, como pagamentos, aproveitando a implantação do PIX, previsto para o dia 16 de novembro. “Queremos ser um hub digital”, afirmou.

PARCERIA A TIM lançou-se no mercado de crédito em julho deste ano. Como não pretende ser um banco, a solução foi costurar parceria com o C6 Bank. Segundo o diretor de estratégia e transformação da TIM, Renato Ciuchini, a aposta no mercado financeiro deveu-se à relativa estagnação dos negócios de telefonia. No acordo com o C6 Bank, a TIM comprou uma pequena participação acionária na instituição financeira. À medida que os negócios prosperarem, o percentual poderá subir até um máximo de 15%. “Monetizo sem trazer riscos”, afirmou Ciuchini. A TIM possui 50 milhões de clientes e, nas três primeiras semanas, 220 mil deles abriram uma conta no C6.

Para o responsável pela área de Parcerias do C6 Bank, Tiago Galli, a ligação com a TIM fez diferença para o banco, que tem 3 milhões de contas abertas. “A combinação de benefícios tende a se tornar fator de fidelização de ambas as empresas. Muitos clientes TIM estão usando o C6 como banco principal”, disse Galli. Quem abre uma conta no banco digital é identificado como usuário da operadora ao inserir seu número de celular — e recebe um pacote de dados de 4 gigabytes de internet, que é renovado sempre que a conta telefônica for paga no C6. Há também cartão de crédito sem anuidade, roaming internacional gratuito, cash back, rendimento maior nas aplicações em CDB, entre outros.

SEM RISCOS O diretor de Estratégia e Transformação da TIM, Renato Ciuchini diz que a empresa de telefonia não pretende ter um banco próprio. A solução foi formalizar parceria com o C6 Bank. (Crédito:Felipe Panfili)

A Oi está finalizando detalhes da parceria que pretende fechar com a fintech Conta Zap para oferecer produtos semelhantes aos da TIM. Segundo o sócio da Conta Zap, Robertto Marinho Filho, haverá conta digital com possibilidade de recarga, cartão pré-pago, seguros e uma linha de crédito que está sendo formatada e deverá ser disponibilizada apenas no início de 2021. A princípio, o crédito seria de R$ 500 para usuários do plano pré-pago e de até R$ 10 mil para pós-pago. Os serviços financeiros deverão começar a ser oferecidos até o fim deste mês. “A operação deveria ter iniciado em março, mas foi adiada por causa da pandemia e por questões estratégicas da Oi”, disse Marinho. Já a Claro oferece empréstimos de R$ 1,5 mil a R$ 10 mil em parceria com o banco mexicano Inbursa.

Analistas de mercado veem com bons olhos a entrada das operadoras de telefonia no mercado financeiro, que além de ser um setor rentável é um caminho para que elas ofereçam mais serviços. Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Ideias de Investimento, acredita que as operadoras poderão aproveitar a chegada do PIX e também o fato de ainda existirem milhões de pessoas fora do setor bancário. “Além disso, o pessoal que usa pré-pago pode migrar para planos melhores”, disse. Fernando Siqueira, analista da Infinity Asset, concorda. “É uma forma diferente de captar novos clientes. Existe a vantagem de a operadora já conhecer bastante o perfil do usuário. Isso ajuda na hora de oferecer crédito.” Como as operações financeiras ainda têm pouco peso no resultado das empresas, ambos não acreditam que uma possível onda de inadimplência tenha consequências maiores para elas. “A economia não está bem no momento, mas isso já está na conta”, afirmou Siqueira.

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