Finanças

Sem pontas soltas

Banco Fibra cresce na crise ao reforçar o caixa de seus clientes.

Crédito: Paulo Vitale

Pavão, do Fibra investimentos em tecnologia para atender empresas menores. (Crédito: Paulo Vitale)

O Banco Fibra, ligado ao grupo Vicunha, não tem do que reclamar de 2020. Apesar das dificuldades, a carteira de empréstimos da instituição financeira dedicada ao mercado corporativo cresceu 40%. A estratégia baseou-se na percepção que a crise prejudicou o caixa dos clientes. Por isso, o Fibra optou por oferecer soluções em dois pilares financeiros das empresas, as contas a pagar e a antecipação de recebíveis. “Fomos ágeis para suprir as necessidades mais imediatas de nossos clientes, e criamos um colchão de liquidez para que eles mantivessem suas atividades”, disse o diretor de crédito do Fibra, Rafael Pavão.

O primeiro movimento do banco foi ampliar os prazos para os pagamentos dos fornecedores, dando tempo para os clientes se reorganizarem. Em seguida, o Fibra garantiu melhores condições para o cliente antecipar seus recebíveis. “Ao atuar tanto no contas a pagar quanto no contas a receber, melhoramos o capital de giro das empresas, que recebiam mais rápido e pagavam com mais prazo”, disse Pavão.

Isso não só aumentou os negócios do banco com seus clientes como também fez crescer a freguesia. “Essa estratégia abriu portas nas empresas médias e de classificação de risco melhor, que antes não precisavam desse tipo de linha de crédito”, disse ele. Como resultado, o Fibra encerrou 2020 com uma carteira de empréstimos de R$ 6,1 bilhões, crescimento de 40,5% sobre 2019. A receita gerencial total cresceu para R$ 272 milhões, avanço de 30,8%. Houve crescimento em todas as linhas. O faturamento com juros avançou 40,5%, as receitas de serviços subiram 8,6% e a receita de derivativos avançou 16,4%.

R$ 6,1 bilhões éa carteira do banco em dezembro de 2020, crescimento de 40,5% ate 2019

RESULTADO Tudo isso melhorou os resultados. O lucro antes dos impostos subiu para R$ 75 milhões, alta de 63% frente a 2019. Apesar do bom desempenho, a última linha do balanço trouxe um lucro líquido de R$ 48,6 milhões, queda de 64,4% ante os R$ 136,7 milhões de 2019, devido ao aumento das despesas com imposto de renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A digitalização dos processos em 2020, permitiu aumentar a escala com segurança e passar a atender também pequenas e médias empresas (PME). Esse nicho de mercado será um dos pilares para atingir a meta de crescer 15% neste ano, chegando a dezembro com uma carteira de crédito de R$ 7 bilhões.

Além das PME, o Fibra avançou no agronegócio e nos financiamentos com perfil ESG. “Isso permitiu construir uma carteira de crédito extremamente saudável”, disse Pavão. No fim de 2020 as provisões para devedores duvidosos representavam 2,7% da carteira (6,3% em 2019) e o índice de inadimplência total caiu para 1,6% (4,4% em dezembro de 2019).

O único, porém, segundo o executivo, é o provável aumento da inadimplência devido à redução do auxílio emergencial. “O que pensávamos ser pontual em 2020 se manteve neste ano, por isso vamos permanecer, como em 2020, atentos aos setores mais afetados pela crise, como comércio, restaurantes e varejo.”