Economia

Sem auxílio emergencial, nível do desemprego pode ser ainda maior

Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

A extensão da pandemia e o fechamento do comércio afetaram em dobro os trabalhadores informais (Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) mostrou que a pandemia do coronavírus teve um efeito mais pesado entre os trabalhadores informais do que entre os formais. A perda de ocupação entre aqueles que não possuíam registro em carteira de trabalho foi mais do que o dobro, indicando que, com o fim da transferência de renda através do Auxílio Emergencial, a taxa de desemprego fique maior.

A taxa de desemprego era de 12,9% até maio, segundo dados do IBGE, frente os 11,6% registrados até fevereiro, quando a pandemia ainda não havia chegado oficialmente ao Brasil. Como muitas pessoas estão recebendo o auxílio de R$ 600, além do seguro-desemprego em alguns casos, e ainda não começaram a procurar emprego, essa taxa de desocupação atual pode não refletir o dado real.

São pelo menos 65,2 milhões de pessoas recebendo o auxílio emergencial neste momento, segundo a Caixa Econômica Federal.

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Por isso, o estudo do Ibre-FGV utilizou uma metodologia do Banco Central que permite mensalizar a Pnad Contínua. Esse levantamento apontou que a população ocupada somava 83,4 milhões de pessoas em maio, ante 93,5 milhões no mesmo mês do ano passado. A queda, portanto, foi de 10,7%, recorde na série histórica iniciada em 2012.

Entre os informais, a taxa de desocupação foi de 15,1% em maio, enquanto entre os formais o recuo foi de 6,7%.

Em números reais, o montante de informais que estavam trabalhando saiu de 44,9 milhões em maio de 2019, para 38,1 milhões em maio de 2020. Foram 6,8 milhões de trabalhadores a menos.

Já os formais saíram de 48,7 milhões ocupados em 2019, para 45,4 milhões em 2020, uma queda de 3,3 milhões de ocupações.

Os pesquisadores acreditam que a extensão da pandemia, que está longe de acabar, e o insucesso do governo em promover alternativas reais além do auxílio emergencial são os fatores que podem ampliar ainda mais o problema do emprego no Brasil.

Entre os setores com trabalhadores informais mais afetados pelo isolamento social foram o de serviços – que concentra 70% de todo o emprego gerado no Brasil e a taxa de informalidade chegava a 44% no ano passado – com uma queda de 10,7% da população ocupada em maio deste ano.

O setor da construção civil também sofre com a pandemia. Com uma taxa de informalidade de 73% em 2019, o setor registrou queda de 15,7% na população ocupada em maio. A indústria em geral teve queda de 11,9%.

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