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Sem acordo com oposição, Bolívia pode ter eleições por decreto

Sem acordo com oposição, Bolívia pode ter eleições por decreto

Apoiadores do candidato presidencial opositor boliviano Carlos Mesa se enfrentam verbalmente a partidários do presidente Evo Morales em 21 de outubro de 2019 em La Paz - AFP

O ministro da Presidência da Bolívia, Jerjes Justiniano, afirmou hoje (18) que o governo de Jeanine Áñez, presidente autoproclamada do país, avalia a convocação de novas eleições por decreto, caso não haja acordo no Congresso com os representantes do partido de Evo Morales, o Movimento ao Socialismo (MAS).

“Se percebermos que há dificuldades para convocar as eleições, uma das sugestões que o Ministério da Presidência fará é que convoquemos eleições imediatamente por meio de algum outro instrumento legal”, afirmou Justiniano.

A convocação de eleições por decreto já ocorreu antes na Bolívia, no mandato do presidente provisório Eduardo Rodríguez Veltzé (2005-2006), e serve como jurisprudência para o atual governo. Apesar de governo e oposição afirmarem que querem paz e diálogo, ainda não se sabe como o Congresso se posicionará nos próximos dias.

O MAS tem maioria no Senado e na Câmara e pode barrar votações importantes como a convocação de novas eleições. As eleições gerais do dia 20 de outubro foram anuladas devido a irregularidades detectadas auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Renúncia

No último dia 10, pressionado pelas Forças Armadas, Evo Morales renunciou ao cargo de presidente e se asilou no México. Inicialmente, a posse do novo presidente estava prevista para o dia 20 de janeiro de 2020. O atual governo, que é temporário, tem pela frente o desafio de convocar novas eleições, com transparência, e o quanto antes.

A chanceler boliviana, Karen Longaric, disse hoje que as próximas eleições serão as mais transparentes da história do país e ressaltou o apoio que a Bolívia tem recebido de organismos internacionais.

“Estamos todos muito entusiasmados por realizar as eleições mais transparentes da história da Bolívia e recuperar a credibilidade do povo. É a única maneira de consolidar instituições democráticas no país”, disse.

“O Ministério das Relações Exteriores entrou em contato com diferentes organizações internacionais que podem participar desse processo de diálogo sobre a paz. Estamos falando das Nações Unidas, da União Europeia e da OEA, que nos fornecerá assistência técnica”, afirmou Longaric.