Economia

Salários ficaram mais um ano sem ganhos reais, apontam pesquisas

Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Basta digitar o CPF ou o CNPJ e a data de nascimento para saber se existem saldos residuais a serem sacados (Crédito: José Cruz/Agência Brasil)

A pesquisa Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), apontou que 2021 foi mais um ano em que o aumento de salários não superou a inflação do período.

A mediana dos reajustes ficou em -0,1% em 2021, contra 0% nos dois anos anteriores. Os números preliminares levantados pelo Departamento Intersindical de estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) vão no mesmo sentido, apontando que a variação real média em 2021 foi de -0,86%. 



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De acordo com o coordenador da pesquisa, o professor Hélio Zylberstajn, por conta da inflação em alta no período, o resultado poderia ter sido até pior.  “Nos outros anos, a inflação era mais baixa, mas em 2021 foi brutal. Levando isso em conta, não foi tão ruim quanto poderia ter sido”, disse à Folha de S.Paulo. Ele também acredita que as empresas não conseguiram repassar a inflação total do ano para produtos e serviços e, com isso, a situação dos trabalhadores ficou mais prejudicada.  

Por conta da economia morna e da pandemia, o número de negociações que resultaram em ganhos reais também caiu muito. Em 2021 somente 18,6% das negociações salariais resultaram ganho para o trabalhador, contra quase 50% em 2019, antes da pandemia do coronavírus. Para o Dieese esses números são ainda menores: 15,6%

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Outro fenômeno que vem acontecendo é o parcelamento dos reajustes por parte das empresas. “Isso quase não aparecia antes da pandemia e salta em alguns momentos, dependendo do número de categoriais que fecharam negociação. O reajuste vem pequeno e ainda é pago parcelado”, contou Zylberstajn. O Dieese disse que no mês de dezembro esses parcelamentos chegaram a 25% nas negociações ocorridas em dezembro. 

Benefícios como o Vale Refeição e Vale Alimentação ficaram estáveis em 2021. O primeiro manteve a média de R$22 por dia.  Já o segundo pulou de R$275 para R$280 por mês, variação de 1,8%.


O setor mais afetado foi o de serviços, com defasagem 38,9% em relação ao Índice de Preços ao Consumidor (INPC), que teve alta de 7,71% em 2021 e é o mais usado em negociações salariais.