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Saída de Fábio do Cruzeiro levanta polêmica sobre a SAF

Crédito: Divulgação/Cruzeiro

Fábio é o atleta com mais jogos disputados na história do Cruzeiro (Crédito: Divulgação/Cruzeiro)

O Cruzeiro anunciou na quarta-feira (5) que o goleiro Fábio não vai fazer parte do elenco do clube em 2022. Apesar de uma renovação já ter sido anunciada no final do ano passado, a nova gestão do time, capitaneada pelo ex-atacante Ronaldo Fenômeno, resolveu rescindir o contrato do atleta.



De um lado, em suas redes sociais, Fábio argumentou que aceitaria uma readequação nos valores do seu contrato para 2022. Já o clube, em nota, declarou que os termos da proposta apresentada não foram aceitas pelo atleta e seu agente.

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Apesar das homenagens ao goleiro, que completaria 1000 jogos em 2022, sua saída não repercutiu bem nas redes sociais e levantou uma questão: um clube gerido como empresa precisa pensar somente em lucro ou pode tratar melhor os seus ídolos?

Gestão mais responsável

O método da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) visa fazer com que os clubes sejam geridos dentro de uma lógica empresarial, ou seja, com regras mais claras de governança e gestão, além de visar o lucro da instituição. 

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Tullo Cavallazzi Filho, ex-presidente da Comissão Nacional de Direito Desportivo da OAB, afirma que, nesse formato, as decisões acabam sendo mais centralizadas nas mãos do proprietário da maior parte das ações. 

“A gestão de um clube em forma de SAF é naturalmente mais profissional, sobretudo pelas exigências que a própria Lei traz para adequação às normas de governança. Conselho Fiscal e o Conselho de Administração, por exemplo, são órgãos obrigatórios. As decisões passam pelo crivo desses órgãos, mas, obviamente, como ocorre em qualquer sociedade, as decisões do acionista controlador tendem à natural centralização com prevalência”, disse. 

SAF arca com os compromissos anteriores

O Cruzeiro foi comprado pelo ex-atacante Ronaldo Fenômeno em dezembro, com a promessa de injetar R$ 400 milhões no clube. Além de Fábio, o clube rescindiu o contrato com o técnico Vanderlei Luxemburgo e sua comissão técnica, também com o argumento de que o salário do treinador não estava adequado com a nova política do clube.

Sobre isso, o especialista em marketing esportivo Fernando Trevisan explica que a SAF precisa honrar todos os compromissos que herdou da outra diretoria em relação a contratos, mas que pode rescindi-los amparada na Lei Pelé. 

“Uma relação comercial pode ser renegociada ou rompida a qualquer momento. Sendo SAF ou não, tanto o empregado quanto o empregador tem liberdade para rediscutir eventuais acordos feitos anteriormente, dentro dos limites da lei e arcando com seus efeitos. No caso de uma rescisão, quem toma a decisão deve pagar as multas previstas no contrato”, contou. 

Razão x Paixão

A reação dos torcedores do cruzeiro nas redes sociais coloca uma dúvida sobre a relação entre torcida e a SAF: como deve ser o tratamento de um ídolo como Fábio, que tinha 17 anos de clube, 976 jogos e é o atleta com mais partidas pela equipe na história?

Trevisan acredita que vai existir uma dificuldade a mais para os clubes-empresa no Brasil, principalmente em equipes com grande torcida e exposição a opinião pública, como o Cruzeiro.

“Decisões em clubes de futebol, especialmente os mais populares, tendem a ser objeto de atenção constante do público. Ainda que uma SAF esteja mais blindada de interferências da velha figura do conselheiro e de membros do clube social, precisará lidar com os impactos de suas ações entre seus torcedores. Daí a importância de ter uma área de comunicação institucional muito bem preparada, como existe nas grandes empresas”, disse.

Já para Tullo Cavallazzi, as novas gestões vão precisar saber lidar com a figura dos grandes ídolos dentro dos clubes para que tanto eles como a torcida se sintam mais valorizados no processo. 

“Este equilíbrio pode ser atingido se a participação do Clube for garantida com mais participação na gestão da SAF e, principalmente, se seus ídolos estiverem na pauta permanente da gestão profissional. Um exemplo são os que são mantidos em funções importantes como executivos de futebol. Mas, é bom lembrar: não basta tirar a chuteira e colocar o terno. É preciso se preparar e se reciclar para adequar-se ao novo modelo”, encerrou. 


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