Finanças

Saiba quais os fundos de ações podem ter os maiores prejuízos com Vale


Na esteira da tragédia em Brumadinho, as ações ON da Vale estão liderando a queda no pregão da B3. Às 17:15 da segunda-feira 28, elas eram negociadas a R$ 43,44, queda de 22,6% em relação ao fechamento anterior, da quinta-feira, 24.

Tamanha baixa provocou uma queda de 2% no Índice Bovespa e também deverá provocar prejuízos nos fundos de ações cujos gestores apostam nos papéis da mineradora.

Um fundo do tipo monoação, que investe em uma única empresa, ou um fundo do tipo FMP FGTS dedicado à Vale, como os que foram criados em 2003, deverão apresentar as maiores desvalorizações. Nesses casos, não adianta falar mal do gestor do fundo. Ele apenas cumpriu o estatuto, e investiu nas ações da Vale, que era o que havia sido combinado com o investidor.

Já os prejuízos dos fundos de ações do tipo livre ou do tipo indexado vão depender das apostas dos gestores. Quanto mais ações da Vale em carteira, maior o prejuízo potencial.

Como saber quais fundos investiram na Vale, e quanto? A pedido de DINHEIRO, a empresa de informações financeiras Economatica levantou quais os fundos investiam em ações da Vale. Quando os gestores liberaram essa informação para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o levantamento partiu da carteira de 31 de dezembro de 2018.

No entanto, alguns gestores deliberadamente postergam a divulgação de suas carteiras. Nesses casos, o levantamento foi feito com base na posição de 30 de setembro.

Pelo levantamento da Economatica, no fim de dezembro havia 774 fundos de ações e multimercado investindo em ações da mineradora. Desses, 55 são fundos monoação ou do tipo FGTS. Dos demais, o fundo com maior participação nas ações é o BNP Paribas Apoema FIA. Classificado como um fundo de ações do tipo Investimento no Exterior, dedicado a investidores profissionais e com aplicação inicial mínima de R$ 1 milhão, o fundo tinha, no dia 31 de dezembro de 2018, 59,7% de seu patrimônio de R$ 260 milhões investido na Vale. Procurado, o BNP não atendeu a reportagem da DINHEIRO.

Outro fundo que se destaca entre os que fazem apostas pesadas na Vale é o CSHG Master Ações FI Prev, da gestora Credit Suisse Asset Management. Dedicado a aplicações de previdência privada e destinado a investidores qualificados, o fundo investia 17,2% dos R$ 8,1 milhões de seu patrimônio líquido em ações da Vale.

Classificado como fundo de ações Indexado, o fundo tem, conforme o estatuto arquivado no site da CVM, o mandato de acompanhar o índice de ações IBrX-50. Segundo informações da B3, esse índice possui 11,3% de ações da Vale em sua carteira. No caso do Índice Bovespa, em setembro a participação das ações da Vale era de 12,988%. Assim, o CSHG Master Ações FI Prev estava investindo mais nas ações da Vale do que a fatia das carteiras teóricas Índice Bovespa e índice IBrX-50. Procurada, a Credit Suisse Asset Management não atendeu a reportagem da DINHEIRO.

O QUE O INVESTIDOR DEVE FAZER?

Segundo Helder Soares, diretor de investimentos da Claritas Investimentos, a queda das ações da Vale não deve continuar afetando os demais setores do mercado. “Várias empresas e setores importantes registraram fortes altas, como o setor financeiro, setor de bebidas e empresas de energia elétrica”, diz ele. Soares diz que não foi possível notar nenhuma contaminação nos mercados de juros e de dólar. “Nos parece que o impacto fica limitado à própria empresa”, diz ele. .

Soares avalia que ainda é cedo para o investidor decidir se é hora de vender ou não as ações. A queda superior a 20% parece embutir já um cenário bastante negativo para empresa, ao destruir mais de R$ 60 bilhões de valor de mercado, valor bastante superior às multas e penalidades com o desastre de Mariana.

Pra ele, os investidores que guiam sua estratégia por parâmetros socioeconômicos e ambientais devem zerar suas posições na empresa por razões de imagem. “Aqueles que buscam dividendos no curto prazo também podem desinvestir em virtude da suspensão de pagamentos de proventos aos acionistas até uma maior clareza sobre a situação”, avalia. “No curto prazo, em virtude de um noticiário ainda muito negativo é possível que as ações caiam ainda mais”, diz.

 

Socorristas buscam vítimas em Brumadinho – AFP