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Ruth Bader Ginsburg: a perda de um ícone progressista da Suprema Corte dos EUA

Ruth Bader Ginsburg era baixa em estatura, mas sua influência era enorme, tanto como uma importante defensora dos direitos das mulheres no início de sua carreira, quanto como uma força progressista na Suprema Corte dos Estados Unidos.

A segunda mulher a ser magistrada na mais alta corte dos Estados Unidos faleceu na sexta-feira (18), aos 87 anos, após uma longa batalha contra um câncer no pâncreas.

Usando seus inconfundíveis colares e estilizadas gravatas-borboleta, esta mulher nascida no Brooklyn amante de ópera era a decana da Corte e “líder” da coalizão de esquerda em um tribunal de maioria conservadora.

Nunca hesitou em dizer o que pensava, e sua contundente frase “Eu discordo” se tornou parte de seu improvável legado como ícone da cultura pop.

Seu rosto emoldurado por óculos de aro escuro adorna camisetas, canecas e roupinhas de bebê. Sua vida foi retratada em dois filmes em 2018: o documentário “RBG” e o filme “On the Basis of Sex”.

“Por mais sombrias que as coisas pareçam, vi muitas mudanças em minha vida”, disse Ginsburg em uma conferência na Carolina do Norte (leste), em setembro de 2019.

“Oportunidades se abriram para pessoas de qualquer raça, religião e, em última instância, gênero”, apontou.

– Último desejo –

Em uma frágil condição de saúde durante anos, esta defensora da causa das mulheres, das minorias e do meio ambiente foi internada duas vezes neste semestre.

O substituto de Ginsburg poderá ser indicado – para consideração do Senado – pelo presidente Donald Trump, um homem que ela criticou por seu “ego”, cujo impacto no tribunal ela disse “nem mesmo querer contemplar”.

O presidente já anunciou que apontará sua escolha “sem demora”.

Durante seu mandato, Trump nomeou dois juízes conservadores: Neil Gorsuch e Brett Kavanaugh. De acordo com a rádio NPR, Ginsburg confiou seu último testamento à sua neta Clara Spera.

“Meu maior desejo é não ser substituída até que um novo presidente seja empossado”, ela teria dito alguns dias antes de sua morte.

– Judia, mulher e mãe –

Nascida em 15 de março de 1933, em uma família de imigrantes judeus russos no auge da Grande Depressão, ela perdeu a mãe para o câncer na adolescência.

Foi para a Universidade Cornell, onde teve o escritor Vladimir Nabokov como professor e onde conheceu seu marido, Martin.

O casal se matriculou na Harvard Law School: ela lutou para permanecer na escola, enquanto criava sua primeira filha, Jane, e seu marido lutava contra um câncer. Ele faleceu em 2010.

Ruth Ginsburg terminou seus estudos na Universidade de Columbia e teve um segundo filho, James. Embora fosse uma das melhores alunas de sua classe, ela lutou para começar na profissão.

“Eu tinha três pontos contra mim. Um, eu era judia. Dois, eu era uma mulher. Mas o golpe final foi que eu era uma mãe”, disse ela em uma entrevista à CBS, em 2016.

Ela acabou na vida acadêmica, ensinando nas Universidades Rutgers e Columbia como uma das poucas mulheres na equipe. Na década de 1970, a American Civil Liberties Union (ACLU) recrutou Ginsburg para litigar casos de discriminação sexual.

Sua colega, a juíza da Suprema Corte Elena Kagan, resumiu seu desempenho da seguinte forma: Ginsburg “mudou o rosto da lei americana antidiscriminação”.

Depois de uma passagem como juiz de uma Corte federal de Apelações, Ginsburg foi indicada para a Suprema Corte pelo então presidente Bill Clinton, em 1993. Seu nome foi facilmente confirmado pelo Senado e ela se tornou a segunda mulher e a primeira judia a servir como juíza da mais alta instância jurídica dos EUA.

– Amizade improvável –

Como a maioria do tribunal tendia para o conservadorismo,fez uso efetivo de sua dissidência. Ela até usava o que chamava de “colar da disvergência”, metálico, semelhante a uma armadura.

Ginsburg criou uma amizade improvável com o falecido juiz conservador Antonin Scalia.

Embora estivessem em polos opostos em quase todas as questões de jurisprudência, eles compartilhavam o amor pelas liberdades civis, pela redação jurídica detalhada e pela ópera.

Ruth Bader Ginsburg lutou contra o câncer várias vezes ao longo da vida, mas, ao ser perguntada sobre sua aposentadoria, garantiu que deixaria a Corte apenas quando não pudesse mais trabalhar.

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