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Rumo ao topo

Com 130 anos de história, ativos imobiliários de R$ 3,5 bilhões e sob nova direção, a Melhoramentos redesenha sua estratégia e planeja triplicar o faturamento até 2023.

Crédito: Claudio Gatti

PASSADO E FUTURO O CEO Rafael Gibini em frente à Casa Melhoramentos, em São Paulo. Mais que aumentar a receita, ele quer deixar um legado. (Crédito: Claudio Gatti )

O longínquo ano de 1890, quando o Brasil era um império cuja economia se baseava na exportação de café, a Companhia Melhoramentos de São Paulo instituiu uma nova ordem industrial a partir de um projeto visionário. Mais que uma fábrica de cal — e depois de papel — instalada em Caieiras (SP), tratava-se de um complexo arrojado até para os padrões atuais. Uma barragem fornecia água potável, havia tratamento de esgoto, barcas para navegação fluvial, ferrovia doméstica para transportar matérias-primas e escoar a produção, além de 180 residências para os trabalhadores e escola para mais de 70 crianças. O Brasil não conhecia nada parecido.

Com o tempo, vieram as aquisições. Somaram-se ao núcleo original glebas de propriedades territoriais para extração de madeira e a fusão com um moderno parque gráfico montado na capital por imigrantes alemães, a empresa Weiszflog. Passados 130 anos, a companhia que ajudou a imprimir a história do Brasil e a definir o conceito de sustentabilidade está redesenhando seu futuro. “A Melhoramentos tem um histórico pautado em inovação”, afirmou à DINHEIRO o CEO Rafael Gibini. Segundo ele, desde a venda da divisão de papel higiênico Softys para um grupo chileno, em 2009, a empresa entrou em um período de estabilidade, sem uma lógica de crescimento.

Isso começou a mudar há cerca de dois anos, quando os controladores decidiram criar um conselho independente formado por profissionais do mercado. Embora tenha iniciado sua carreira na Suzano, uma das líderes do setor de papel e celulose no País, o atual CEO veio de uma consultoria voltada para impulsionar startups e encontrar soluções para grandes empresas. Um de seus cases de sucesso foi para a Nestlé: um marketplace voltado para doceiras e boleiras com a função de estimular as vendas de Leite Moça, marca ameaçada pela concorrente Piracanjuba. Indicado por uma das conselheiras da Melhoramentos, Gibini, de 41 anos, assumiu a presidência da companhia centenária com um triplo desafio: resgatar a relevância da editora de livros, definir uma estratégia para o segmento patrimonial e aprimorar o negócio de fibras que a companhia mantém em sua divisão florestal.

“O nosso propósito é fazer crescer para melhorar o amanhã. Isso inclui oferecer qualidade de vida. Queremos melhorar as cidades. É um compromisso genuíno da empresa” Rafael Gibini, CEO da Melhoramentos.



Em resumo, cabe a ele repensar todo o negócio. Segundo Gibini, as áreas de atuação da empresa se complementam, embora tenham vida própria. “Nossas fazendas têm um ativo biológico que é a madeira. Ela pode ser explorada da maneira mais básica, com a venda para a indústria de celulose. Mas há outras aplicações possíveis: fornecer fibras para outras indústrias ou aproveitá-la em substituição ao plástico, o que tem um aspecto de sustentabilidade interessante”, afirmou. “Estamos testando desde tapetes para pets até preenchimento de drywall para a construção civil.”

Ao mesmo tempo em que busca reforçar o apelo ambiental por meio de pesquisa e desenvolvimento, Gibini que expandir o alcance da Editora Melhoramentos, que já lançou mais de 4 mil obras. Esse portfólio começou a ser renovado com a contratação de 11 novos autores. Um dos recém-contratados é não apenas escritor, mas também ator, cantor, dublador e influenciador digital: Christian Figueiredo, catarinense de 26 anos que tem mais de 11,6 milhões de seguidores no YouTube. Não por acaso, à frente da operação editorial está uma executiva que fez carreira na Coca-Cola.

Ainda que as receitas da editora e dos ativos florestais sejam importante para a manutenção da companhia, é o lado patrimonial que Gibini entende ser o mais promissor. A Melhoramentos possui terrenos que somam quase 40 milhões de metros quadrados, avaliados hoje em R$ 3,5 bilhões. Uma das áreas, cortada pelo início da rodovia dos Bandeirantes, poderá se tornar vizinha de um aeroporto internacional, já em fase de estudos pela concessionária CCR. Outra fica próxima ao futuro entreposto de alimentos da capital paulista, que irá substituir o Ceagesp. “Temos uma visão para os próximos 30 anos que não visa apenas maximizar a receita, mas também deixar um legado”, afirmou Gibini.

EVEREST Este ano será lançado um loteamento residencial em Caieiras, com um anfiteatro público para apresentações da Orquestra Filarmônica Melhoramentos, criada há mais de um século. “O nosso propósito é ‘fazer crescer para melhorar o amanhã’. Para isso, precisamos oferecer qualidade de vida. Queremos melhorar as cidades, um compromisso genuíno na empresa”. Com cerca de 400 funcionários diretos e receita da ordem de R$ 150 milhões em 2019, a meta de Gibini é elevar a cifra para R$ 500 milhões em três anos. “Se a gente pensar mais no longo prazo, para daqui a 10 anos, acredito que podemos ir para a casa de bilhão”, afirmou Gibini. Internamente, esse desafio é chamado de Projeto Everest. O topo pode estar distante, mas não é inatingível.

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