Negócios

Romero Rodrigues

Depois de vender o Buscapé por US$ 342 milhões, ele passou a ajudar outros empreendedores a trilharem o mesmo caminho percorrido por ele

Romero Rodrigues

Há alguns anos, o jovem empresário Romero Rodrigues, já famoso no mundo das startups e dos negócios, foi provocado por seu amigo Romeo Busarello, executivo da construtora Tecnisa e professor de marketing e inovação do MBA da ESPM. De bate pronto, Busarello mandou a frase que nunca mais sairia de sua cabeça. “Romero, você sabe que existem três “S” na vida, não é?” E completou. “Suor, sucesso e significado. Apesar de ser jovem, você já caminha para o terceiro ‘S’. Tem de pensar no que vai deixar como legado.”

De fato, Rodrigues já havia suado ao criar, em 1998, ao lado de três amigos de faculdade, o Buscapé, um site de comparação de preços, com minguados R$ 100 por mês. Definitivamente, ele havia alcançado o sucesso, cujo auge foi a venda da companhia, em 2009, para o grupo sul-africano Naspers por US$ 342 milhões, no maior negócio da internet brasileira. Faltava o terceiro “S”. Não falta mais. Seja como mentor, seja como investidor, aos poucos, Romero Rodrigues passou a ajudar outros empreendedores a trilharem o mesmo caminho percorrido por ele. “Educação e empreendedorismo têm muito significado para mim”, diz Rodrigues.

2009: A venda do Buscapé para
o sul-africano Naspers foi capa da DINHEIRO. O negócio é, até hoje, o maior da internet brasileira

A história poderia ser romantizada, mas ele mantém o pé no chão. “Adoraria dizer que o que fiz e tenho feito aconteceu por um desejo meu”, diz Rodrigues. “Mas, no meu caso, as coisas foram acontecendo naturalmente.” Depois da venda para o Buscapé, ele passou a ser procurado por jovens empreendedores, a dar palestras e a investir em gente que tinha potencial. Além disso, virou conselheiro de várias empresas. Tornou-se, de certa forma, um evangelizador do empreendedorismo. Atuou em mais de uma dezena de empresas como investidor anjo e intensificou esse processo a partir de 2015, quando deixou, de vez, o Buscapé para se tornar sócio do fundo de venture capital americano Redpoint eventures no Brasil, que dispõe de US$ 130 milhões para investir em startups nacionais.

O papel de Rodrigues vai além do investidor que coloca dinheiro no negócio. Pedro De Conti, fundador da Grubster, uma plataforma que disponibiliza restaurantes com descontos para seus assinantes, fala de Rodrigues como uma peça fundamental no desenvolvimento da companhia. “Fundamos a empresa em outubro de 2011 e ele entrou dois meses depois como investidor. Ele, praticamente, pegou na nossa mão e nos mostrou como dar os primeiros passos”, diz De Conti, CEO da plataforma com mais de 50 mil assinantes e dois mil restaurantes cadastrados.

Outro que contou com a ajuda de Rodrigues para o desenvolvimento de seu negócio foi Cesar Augusto Carvalho, cofundador e CEO da Gympass, uma espécie de Netflix das academias de ginástica. Com 20 mil academias cadastradas, 700 funcionários e presença em 12 países, a empresa tem Rodrigues como acionista. “Ele sempre trouxe a experiência que havia acumulado com o Buscapé. Ajudou nas negociações com os lojistas e na estruturação do time. Ele sabe escutar e tem boa leitura das pessoas”, diz Carvalho. Rodrigues analisa a nova fase de empreender os empreendedores com satisfação. “Sem dúvida nenhuma, tem give back (dar de volta) e é uma sensação muito mais gostosa.”


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