Economia

Romênia aposta no gás do Mar Negro para independência energética da Rússia

Romênia aposta no gás do Mar Negro para independência energética da Rússia

Foto de arquivo de 28 de junho de funcionário em usina de Vadu, Romênia - AFP/Arquivos



Na cidade de Vadu, no sudeste da Romênia, o precioso gás extraído do Mar Negro passa por um labirinto de novos oleodutos, alimentando esperanças de se libertar do gás russo.

O gás flui através de plataformas offshore, apesar da presença de minas e navios de guerra destacar o conflito na vizinha Ucrânia, mostrando a determinação da Romênia em acabar com sua dependência das importações da Rússia.

“A Romênia dá um passo decisivo para garantir sua segurança energética (…) em um momento em que o fornecimento de gás está ameaçado pela guerra na Ucrânia”, disse na terça-feira o primeiro-ministro Nicolae Ciuca na inauguração de uma usina de processamento de petróleo da Black Sea Oil & Gas (BSOG).

Apesar de a Romênia ter importantes reservas em terra e no mar, durante o inverno precisa recorrer à Rússia para cobrir cerca de 20% do seu consumo.




Esta companhia apoiada pela americana Carlyle Group LP e pelo Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) começou há duas semanas a explorar depósitos submarinos.

Desta plataforma, que custou milhões de dólares, são extraídos cerca de três milhões de metros cúbicos por dia. A meta é chegar a 1 bilhão de metros cúbicos por ano em uma década.

“Hoje enfrentamos uma emergência em termos de abastecimento. Temos que colocar os velhos fantasmas no armário e começar a produzir localmente”, disse Thierry Bros, especialista em energia e clima da escola Sciences Po, na França.


“Temos que relançar os projetos no Mar Negro, relançar o crescimento da produção na Noruega, no Reino Unido devemos considerar o lançamento do gás de xisto e na França o gás de minas”, explicou à AFP.

Em Vadu, o presidente-executivo da BSOG, Mark Beacom, disse esperar que essa infraestrutura de última geração também possa ser usada para futuros projetos de gás ou energia renovável no Mar Negro.

Mas a invasão contra a Ucrânia lançada pela Rússia complicou a situação.

“Não estamos em uma zona de guerra, mas estamos perto o suficiente para que isso claramente tenha um impacto”, explicou.

O executivo disse que detectaram minas perto da plataforma, viram navios de guerra navegarem perto, bem como aviões.

BSOG tem duas concessões a cerca de 120 quilômetros da costa romena, parte das quais Bucareste recuperou ironicamente em 2009 após uma disputa com a Ucrânia perante a Corte Internacional de Justiça em Haia.

A Romênia estima suas reservas de gás ‘offshore’ em 200 bilhões de metros cúbicos, mas os investidores estão cautelosos.

Após anos de burocracia, o Parlamento finalmente alterou em maio uma lei que impedia investimentos em plataformas offshore, o que levou a empresa ExxonMobil a desistir de um projeto, apesar de um investimento de quase 2 bilhões de dólares.

“Se queremos vencer os russos, precisamos de energia”, disse Bros, alertando que o tempo em que a energia era “garantida” na Europa pode ter acabado.