Dinheiro em foco

Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos

Crédito: TEREZA SA

O BC elevou os juros e o Fed vai reduzir a recompra de títulos. O que muda para o investidor?
Apesar da volatilidade que essas decisões provocam, não são pontuais, são jornadas. No caso do Brasil, a piora dos indicadores ao longo dos últimos meses já vem levando os gestores de recursos a preparar suas carteiras, antecipando que a inflação será mais alta do que o esperado e vai durar mais tempo, pois ela é diferente. Não é uma inflação de demanda. É uma inflação de oferta, provocada pelo aumento de preços de insumos, pelo estresse hídrico e pela alta do dólar.

O que preocupa mais o senhor nesse novo cenário?
Minha principal preocupação é a velocidade do aumento da taxa de juros. No início deste ano era mais ou menos unanimidade no mercado que levaria muitos anos para que o Brasil voltasse a ter de praticar uma taxa Selic de dois dígitos. Agora, a perspectiva é que a Selic supere essa marca ainda no início de 2022. Isso muda tudo.

O que mudou?
Era um consenso no mercado que, se não fosse o impacto da pandemia, a taxa de juros básica brasileira permaneceria entre 6% e 7% ao ano por muito tempo. As oscilações pontuais para mais ou para menos seriam de curta duração. Nesse cenário, fazia todo o sentido optar por ativos de maior risco e prazos mais longos, que garantissem um prêmio. Não por acaso, em menos de um ano a B3 cadastrou mais de 1,5 milhão de novos investidores, que buscavam ações e fundos imobiliários. Esse cenário deixou de existir e o comportamento do investidor já mostra isso.

Em que sentido?
Já estamos notando que há muitos investidores deixando a renda variável e até mesmo os fundos imobiliários, em busca de ativos de renda fixa prefixados ou pós-fixados, tentando capturar a alta dos juros. Essa pode não ser a melhor estratégia no longo prazo.

Qual estratégia é boa no longo prazo?
Aproveitar que o estresse fez com que ativos de boa qualidade estejam sendo negociados com desconto na B3. Há cotas de fundos imobiliários sendo negociadas por um preço menor do que o valor patrimonial correspondente dos imóveis que esses fundos possuem. Nada garante que essas cotas não possam cair mais no curto prazo, mas a longo prazo esses ativos são bastante promissores.

EMPÍRICA E GRUPO H APOSTAM NO CONSIGNADO

A gestora Empírica fechou uma parceria com a fintech Grupo H, especializada em empréstimos consignados, para captar mais recursos para seu Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). O Grupo H concede empréstimos consignados para trabalhadores CLT, com valor médio de R$ 6,6 mil. O FIDC NeoCred possui um patrimônio de R$ 150 milhões e a expectativa da Empírica é que a parceria permita duplicar esse valor até meados de 2022.

GUIDE TERÁ PRODUTOS DA GESTORA GAÚCHA KP

As plataformas de distribuição de fundos Guide e sim;paul vão passar a distribuir as carteiras da gestora independente gaúcha KP Wealth Management, especializada na gestão de ativos de crédito. Serão distribuídos os fundos KP CP 35 FIC FIM e KP CP FIC FIM, ambos com aplicação mínima de R$ 1 mil e taxa de administração de 2% ao ano. A diferença entre eles é a liquidez. O primeiro permite o resgate 33 dias após a solicitação. Já segundo leva 91 dias para permitir o saque.

GESTÃO DIVERSIFICADA GARANTE GANHO À DAEMON

O fundo Nous Global, da gestora independente Daemon Investimentos registrou uma rentabilidade de 33,8% nos 12 meses até outubro. Segundo a gestora, isso representa rentabilidade de 1.015% da variação do CDI. Segundo o responsável pela área de pesquisa quantitativa da Daemon, Paulo Hermanny, a estratégia do fundo é de diversificação máxima. São 250 ativos na carteira. Em outubro, o fundo rendeu 3,55%, ante uma queda de 6,7% no Ibovespa.

EM ALTA
571 mil 

Foi o número de empregos criados no setor privado nos Estados Unidos em outubro, acima das 523 mil vagas abertas em setembro, segundo informou a empresa ADP, responsável por processar a maioria das folhas de pagamento das empresas americanas. Foi o terceiro avanço consecutivo na abertura mensal de vagas no setor privado, e o melhor resultado desde junho, informou a empresa na quarta-feira (3). O resultado está acima da média do terceiro trimestre, quando foram criadas 385 mil vagas por mês. No acumulado do ano foram abertas 5 milhões de vagas.

EM BAIXA
4,2% 

Foi a queda real das vendas da indústria paulista em setembro, na série com ajuste sazonal, segundo o Levantamento de Conjuntura feito pela Fiesp. Foi a quinta queda consecutiva das vendas. No período, a baixa acumulada é de 12,1%. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) ficou em 81,2% em setembro, com uma leve queda de 0,1 ponto percentual frente a agosto. Apesar da oscilação, o Nuci permanece acima da média histórica da indústria paulista, que é de 79,4%. As Horas Trabalhadas na Produção ficaram estáveis em setembro.