Economia

Robô de investimento vira opção para fugir de renda fixa

Crédito: AFP/Arquivos

Em 2019, os fundos de renda fixa tiveram resgate líquido de R$ 69,3 bilhões, enquanto os de ações foram os que mais captaram, com entrada líquida de R$ 86,2 bilhões (Crédito: AFP/Arquivos)

Em um cenário de juros baixos, os investidores brasileiros têm sido obrigados a diversificar sua carteira para conseguir maior retorno financeiro. Manter todo o patrimônio aplicado em renda fixa já não garante os melhores resultados. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram essa tendência: em 2019, os fundos de renda fixa tiveram resgate líquido de R$ 69,3 bilhões, enquanto os de ações foram os que mais captaram, com entrada líquida de R$ 86,2 bilhões, aumento de 195% em relação a 2018.

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A plataforma de comparação de produtos do mercado financeiro Yubb também registrou a mudança de comportamento. A procura por renda variável aumentou nos últimos meses e, particularmente, pelos robôs de investimento. Em dezembro, 23% das buscas realizadas no site foram sobre os robôs.

Em primeiro lugar nas buscas na plataforma, no entanto, ainda aparecem os fundos de investimento, que incluem, fundos imobiliários, ETFs (fundos negociados em Bolsa), fundos de ações e previdência privada. Em seguida estão as ações, negociadas diretamente na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3.

Os robôs de investimento são plataformas que montam, de forma automatizada, com base em algoritmos, portfólios com produtos de renda fixa e variável de acordo com o perfil do investidor – a custos, em geral, mais baixos que as taxas cobradas do aplicador de pequeno porte. Cada casa especializada pode cobrar taxas de administração e até mesmo de performance.

O fundador do Yubb, Bernardo Pascowitch explica que os robôs de investimento surgem como uma possibilidade interessante por causa das facilidades que eles oferecen ao investidor iniciante. Antes de se definir onde o dinheiro será aplicado, o robô faz uma análise do perfil do investidor, considerando, por exemplo, os riscos que ele está disposto a tomar, o prazo e o volume da aplicação.

A publicitária Camila Coelho, de 24 anos, apostou nos robôs para se iniciar no mercado financeiro – seja pela falta de tempo para se dedicar a estudar as modalidades de investimento, seja pela falta de disposição para tomar decisões para cada ativo que possui. “Esse dinheiro é para ser usado em acontecimentos no futuro. Se tiver alguma emergência, vou usar. Caso contrário, deixo lá, não mexo.”

Ela se considera conservadora e a forma como seus investimentos estão alocados comprova isso. “Eu não queria 100% de renda fixa porque sei que rende menos. Coloquei apenas 5% em renda variável para entender como funciona, mas também não queria perder”, diz a publicitária. Com mais confiança no mercado, em breve pretende colocar 25% do seu patrimônio em renda variável. “Hoje, me sinto mais preparada para o risco.”

De acordo com Luciano Tavares, fundador da Magnetis, gestora especializada em investimentos com tecnologia que tem R$ 375 milhões alocados, o maior desafio ainda é fazer o investidor entender como funciona o produto. “Quando conhece, gosta”, afirma.

O diretor de produtos da Monetus, gestora de investimentos digitais especializada em robôs com R$ 160 milhões alocados, Vinícius Soares, diz que a empresa faz o balanço entre tecnologia e pessoas. “Operamos com um modelo híbrido que une o melhor dos dois mundos: a capacidade de raciocínio analítico de um gestor profissional com a capacidade de executar milhares de operações em poucos segundos de um computador.”

Segundo o Yubb, o prazo mais buscado para o investimento por meio de robôs é de 12 a 24 meses, com valores de R$ 5 mil a R$ 10 mil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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