A compra do microblog Twitter por U$ 44 bilhões por Elon Musk ainda está sendo digerida pelo mercado financeiro, já que é uma das maiores transações no setor tech – tirando a compra da Activision pela Microsoft em janeiro deste ano por US$ 68,7 bilhões – e uma ousada escolha de empresa para se comprar do sul-africano. O economista, apresentador e um dos maiores influenciadores no LinkedIn Ricardo Amorim não tem dúvida de que a decisão tem um componente de negócio, com retorno financeiro, para além do querer ser mentor de um canal de livre expressão. “A razão disso é o tamanho do investimento”, diz a DINHEIRO. “Ele pegou uma fatia muito grande de seu patrimônio para a compra, isso mesmo para uma das pessoas mais ricas do mundo.” Pegou mesmo: dos US$ 260 bilhões, agora está com perto de US$ 240 bi, e o número vai oscilando no tempo real da lista da Forbes que o alçou a líder, na frente de Jeff Bezos, da Amazon Blue Origin, que tem US$ 177 bilhões.

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Musk usou perto de US$ 20 bilhões próprios e mais US$ 20 bi em empréstimos. Para o economista, o bilionário deve ter uma perspectiva adiante e acreditar muito na rede social para justificar sua jogada. “Ele não seria louco de torrar tanto dinheiro assim”, diz, um pouco contrário a especialistas que acham que o Twitter não consegue ser rentável como um Google ou Facebook (a maior rede social no mundo, na frente do microblog). Outro aspecto importante e que pode estar sendo esquecido é que tipo de empresa o dono da Tesla e SpaceX (além de outros negócios) colocou seu dinheiro. “É uma aposta gigante em uma indústria que estava sendo desvalorizada, a da comunicação, pois o Twitter não deixa de ser isso”, afirma.

O que não está claro ainda é quanto de retorno vai vir diretamente do Twitter ou de outras paralelas de influência, como, por exemplo, com a China, que é grande compradora de Teslas. O ganho seria indireto, o de ter uma rede social para uma mesa de negociação com o país. “Agora o Twitter é uma empresa privada. Com capital aberto, talvez não conseguisse tomar decisões que fossem boas para seu império”, explica. Sim, por isso a compra total do Twitter, para que as regras de uso sejam escritas por ele.

*Veja na edição 1270 reportagem sobre a jornada de Musk nos negócios e análise de especialistas sobre a histórica compra do Twitter