Edição nº 1087 14.09 Ver ediçõs anteriores

A revolução digital chegou às fazendas

A revolução digital chegou às fazendas

O termo agricultura digital que vem se tornando recorrente no agronegócio, mas o que significa de fato e por que isso é importante? Seria apenas uma moda, uma roupagem fashion para os negócios da lavoura? É evidente que não. O futuro da agricultura passa por esse conceito, e isso tem a ver diretamente com produtividade, desempenho e sustentabilidade.

Sergio Marcus Barbosa, gerente-executivo da incubadora EsalqTec, resume bem a ideia: “Agricultura digital é a união entre a agricultura de precisão, a Internet das Coisas, os sites e a conectividade”, afirma. “Essa é uma tendência consolidada que as grandes empresas e produtores rurais estão procurando.”

Tecnologia na agricultura

Há alguns fatores que estimulam o desenvolvimento da tecnologia para a agricultura. O principal deles é o aumento da população, no Brasil e no mundo, algo que gera a necessidade de expandir consideravelmente a produção de alimentos no País nas próximas décadas. O desafio nesse processo é produzir mais em menor espaço e com bom uso dos recursos naturais.

“A agricultura digital permitirá o emprego de algoritmos e Big Data no mundo rural e que se obtenha o máximo de produtividade em cada hectare e saco de semente cultivado pelo agricultor, ao mesmo tempo em que contribuirá para reduzir a pressão exercida sobre os recursos naturais e o meio ambiente”, disse o presidente da Monsanto para a América do Sul, Rodrigo Santos, em entrevista para a StartAgro e para a Plant Project.

A companhia investe há algum tempo em soluções de tecnologia para o campo. E investe muito. Em 2013, ela desembolsou US$ 930 milhões na compra da Climate Corporation, uma empresa americana que nasceu como startup AgTech (tecnologia para a agricultura) e que trabalha com tecnologias de coleta e análise de uma série de informações das fazendas – tudo em tempo real. A transação significou para a Monsanto o ingresso na agricultura digital.

Possibilidades

Para entender a aplicação, podemos citar a própria Monsanto e a Climate como exemplo. Com a formação de um banco de dados sobre as lavouras e os agricultores, a Monsanto consegue recomendar aos produtores a melhor época para plantar, a semente adequada e a forma correta de adubação. E o produtor pode acessar todas essas orientações em seu smartphone ou tablet.

Outro bom exemplo é uma parceria entre a IBM Research e vinícola E & J Gallo, na Califórnia. Os produtores perceberam, em determinado momento, que a irrigação e a fertilização uniformes, por conta das características do solo, não geravam uvas de boa qualidade. A solução encontrada foi o desenvolvimento de um sistema de recomendação em tempo real para cada planta, com o controle das linhas de irrigação e fertilização por gotejamento.

Isso foi possível graças à implantação de sensores de umidade, temperatura e radiação. O resultado disso foi uma expansão de 23% na produção de uvas ao mesmo tempo em que o consumo de água foi reduzido em 20% – e a melhora na qualidade das uvas.

Oportunidades para as startups

Esses são apenas dois exemplos – internacionais e de grande porte – que servem para mostrar não só a aplicação, mas a dimensão adquirida pela agricultura digital no agronegócio. Mas essa tendência não diz respeito apenas aos gigantes. Um dos aspectos mais interessantes hoje é que o digital democratizou o acesso à tecnologia pelos pequenos produtores.

Esse processo tem tudo a ver com o boom de startups que usam a tecnologia para levar diferentes soluções ao campo, como aplicativos e sistemas para gestão, produtividade, monitoramento de lavoura, rastreamento de gado, manejo inteligente de irrigação e previsão de safras.

Esse movimento está apenas no começo, o que permite vislumbrar um cenário repleto de oportunidades para quem deseja empreender na agricultura.

E aí, preparados?


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