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Revista Dinheiro acompanha, no Líbano, entrevista de Carlos Ghosn

Crédito: Carlos Eduardo Valim

Carlos Ghosn em coletiva de imprensa no Líbano (Crédito: Carlos Eduardo Valim)

Carlos Ghosn, ex-presidente da Nissan e réu no Japão, empreendeu uma fuga cinematográfica na semana passada e buscou asilo no Líbano, onde tem cidadania. Nesta quarta-feira (8/1) , ele fala pela primeira vez em coletiva de imprensa sobre sua fuga do Japão no dia 29 de dezembro.

Carlos Eduardo Valim, repórter da Dinheiro, está acompanhando o desenlace desta história. A entrevista acontece neste momento. Acompanhe, durante o dia, a coberta da DINHEIRO com reportagens e vídeos no programa Dinheiro ao Vivo.

Nos primeiros instantes da entrevista, Ghosn já parte para o motivo da fuga: “Fugi do Japão em busca de justiça. A justiça é o único caminho para restaurar minha reputação. Eles me acusaram de ser um ‘ditador frio e gananciosos’. Sempre fui considerado um modelo no meio empresarial. Sou inocente”.

“Eu sou inocente de todas as acusações”, seguiu Ghosn, em sua primeira entrevista após fugir do Japão para Beirute, no Líbano. Segundo o executivo brasileiro de origem libanesa, o seu caso foi político e montado por executivos da Nissan, em conjunto com o promotor japonês que o acusou de quatro crimes, incluindo uso de dinheiro da montadora para uso pessoal e não declaração de bens recebidos. De acodo com Ghosn, a principal acusação trata de um dinheiro que nunca foi aprovado pelo conselho de administração ou recebido por ele.

Para o executivo, o sistema acusatório japonês é arcaico. “Eu fui um refém no país pelo qual me dediquei por 17 anos. Fui mantido em regime solitário, sem falar com pessoas por até seis dias, sendo interrogado por até oito horas, dia e noite, sem advogado, e sem poder falar com a minha esposa”, disse. “Eles queriam quebrar o meu espírito e me obrigar a confessar. Eu não escapei da justiça, eu fugi da injustiça e da perseguição política.” Segundo ele, foi uma tentativa de assassinato de reputação e “eles foram bem sucedidos nisso”. “Fui acusado de ser um ditador frio e ganancioso”, disse. “Mas eu neguei em 2009 um convite para ser CEO da GM, com o dobro do salário. Mas preferi ficar no Japão e não abandonar o barco durante a crise. Alguém ambicioso faz isso? Agora sei que foi um erro.”