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Reino Unido acusa Rússia de querer colocar ‘líder pró-russo’ na Ucrânia

Reino Unido acusa Rússia de querer colocar ‘líder pró-russo’ na Ucrânia

Com dezenas de milhares de tropas russas concentradas na fronteira da Ucrânia, ambos os lados estão buscando esforços diplomáticos para evitar o conflito - AFP

O Reino Unido afirmou neste sábado (22) ter informações confiáveis sobre manobras da Rússia para “colocar um líder pró-russo em Kiev”, no momento em que crescem os temores de que Moscou inicie uma invasão da Ucrânia.

De acordo com um comunicado da chancelaria britânica, os serviços de inteligência russos tiveram contatos com vários políticos ucranianos e “o ex-deputado Yevhen Murayev é considerado um líder em potencial” desta ex-república soviética, “embora não seja o único”.



A secretária de Relações Exteriores, Liz Truss, citada no comunicado, disse que o relatório revela “a magnitude da atividade russa destinada a desestabilizar a Ucrânia”.

Truss insta a Rússia a iniciar uma “redução da escalada” e “encerrar suas campanhas de agressão e desinformação, dando continuidade ao caminho da diplomacia”.

As acusações são publicadas um dia depois que os chefes da diplomacia russa, Sergey Lavrov, e dos Estados Unidos, Antony Blinken, se reuniram em Genebra para tentar reduzir as tensões na fronteira russo-ucraniana e concordaram em continuar suas conversas “francas” na próxima semana.

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Países ocidentais acusam a Rússia de enviar tanques, artilharia e cerca de 100.000 soldados para a fronteira ucraniana em preparação para um ataque.

O Kremlin nega qualquer intenção bélica, mas condiciona a desescalada a tratados que garantam a não expansão da Otan, em particular para a Ucrânia, bem como a retirada da Aliança Atlântica do Leste Europeu, algo que os ocidentais consideram inaceitável.


Na última terça-feira, a Casa Branca afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, poderia ordenar um ataque “a qualquer momento” e alertou que o ocidente “não descarta nenhuma opção”.

No comunicado deste sábado, Truss afirmou que “qualquer incursão militar na Ucrânia seria um grande erro estratégico” e resultaria em “graves custos” para a Rússia.

O chefe da Marinha alemã, Kay-Achim Schönbach, classificou o cenário de uma invasão russa da Ucrânia como “absurda”, um comentário que provocaram sua renúncia do cargo neste mesmo sábado, após comunicado do Ministério da Defesa alemão.

– Com nome e sobrenome –

A lista de pessoas mencionadas por nome e sobrenome no comunicado britânico que teriam sido cogitadas pelos serviços russos também inclui o ex-primeiro-ministro Mykola Azarov, que fugiu para a Rússia junto com o então presidente Viktor Yanukovic em 2014, devido a uma revolta popular em Kiev.

Os outros são o ex-chefe do Conselho de Segurança e Defesa Nacional, Vladimir Sivkovich (sancionado esta semana pelos Estados Unidos, juntamente com outros três políticos ucranianos por sua suposta cooperação com os serviços de inteligência russos), o ex-vice-primeiro-ministro Serhiy Arbuzov e o ex-chefe do gabinete presidencial Andriy Kluyev.

A acusação do Reino Unido também ocorre poucas horas depois que o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, aceitou um convite para se encontrar em Moscou com seu colega britânico, Ben Wallace, para discutir a crise na fronteira ucraniana.

A reunião bilateral, que seria a primeira desde 2013, visa “explorar todos os caminhos para alcançar a estabilidade e resolver a crise ucraniana”, informou uma fonte do Ministério da Defesa britânico neste sábado.