(Reuters) – O ministro das Comunicações, Fábio Faria, disse nesta segunda-feira que a decisão do governo de criar uma rede privativa de 5G com regras de proteção mais robusta para determinados setores, como as Forças Armadas, o Banco Central e a cúpula dos Três Poderes, resolveu um problema geopolítico.

O ministro disse que a rede privativa veta a participação de qualquer empresa que tenha dentro do quadro societário dirigentes ou donos que sejam filiados a partidos políticos — o que foi considerado por especialistas uma forma de barrar a participação de empresas chinesas, como pretendido pelo presidente Jair Bolsonaro para se alinhar aos Estados Unidos.

“Resolvemos o problema geopolítico com a rede privativa”, disse o ministro em entrevista à GloboNews, ao ser questionado sobre eventual veto à participação da China na rede 5G.

Segundo Faria, uma vez que a restrição diz respeito apenas à chamada rede privativa, qualquer empresa poderá participar do 5G no restante do país.

“Dentro dessa rede de comunicação segura, a gente colocou uma série de parâmetros e observações que fazem com que algumas empresas não possam participar, mas dentro do restante do Brasil a gente vai deixar para o livre comércio”, afirmou.

A rede privativa foi a solução encontrada pelo governo para apaziguar restrições de Bolsonaro à atuação da fornecedora de equipamentos chinesa Huawei e, ao mesmo tempo, não impedir a empresa de atuar no Brasil, o que traria prejuízo às operadoras de telecomunicação.

Desde o início do processo, Bolsonaro, em linha com o governo do então presidente norte-americano Donald Trump, queria banir a Huawei de atuar no mercado brasileiro. Os planos do presidente, no entanto, esbarram no fato de a chinesa já fornecer a maior parte dos equipamentos das redes 4G e 3G do Brasil e ter os menores preços.

(Por Pedro Fonseca)

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