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Recuperação de cidade afetada por rompimento de barragem na BA poderá levar meses

Um contingente de 2.080 pessoas desalojadas e 320 desabrigados, além de um rastro de destruição, é o saldo do rompimento da Barragem de Lagoa Grande, localizada no povoado do Quati, município baiano de Pedro Alexandre, na divisa da Bahia com o Sergipe, ocorrido na manhã da quinta-feira, 11.

A maior parte dos problemas ficou com a cidade vizinha de Coronel João Sá, que recebeu toda a água e a lama vazadas da barragem. O rompimento se deu devido à grande quantidade de chuvas verificadas na região em apenas cinco dias, volume considerado atípico.

Com o reaparecimento sol a partir do final de semana, o prefeito de Coronel João Sá, Carlos Sobral disse que a prefeitura está voltada agora para a limpeza da cidade e retirada do entulho. Em seguida começará o processo de demolição das casas condenadas pela Defesa Civil.

Aulas seguem suspensas

“Estamos tentando concluir a limpeza essa semana, para que as crianças possam voltar às aulas na próxima. Como algumas escolas estão ocupadas com os desabrigados, vamos realizar um remanejamento dos alunos”, disse o prefeito, que recebeu nesta segunda-feira, 15, a visita do secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, coronel Alexandre Lucas.

O coronel reforçou a importância da utilização de um serviço de alertas contra acidentes, nos celulares, por meio de SMS, que está disponível para todo o País e é gratuito. Segundo ele, com esse alerta é possível evitar riscos às comunidades impostos por situações como a ocorrida na cidade baiana.

“O cadastro para o envio de SMS é fundamental para preservarmos vidas e minimizarmos os prejuízos econômicos. As pessoas recebem o alerta com antecedência e podem procurar locais seguros. Por isso, reforçamos à população a importância de se cadastrar no sistema da Defesa Civil Nacional. É uma medida simples, mas que pode ser decisiva numa hora dessas”, disse. Para se cadastrar, basta enviar um SMS com o CEP de interesse para o número 40199.

O prefeito demonstrou interesse no serviço. Ele informou também que a prefeitura já doou um terreno onde deverão ser construídas 200 casas que serão doadas para os desabrigados, num local distante das barragens. Os recursos para a construção dos imóveis ficarão a cargo dos governos estadual e federal. Ele ainda não tem uma estimativa de quanto será necessário para reorganizar a cidade.

“As pessoas já estão ficando impacientes, querendo voltar para casa, mas quem perdeu tudo precisará ter um pouco de paciência, levaremos alguns meses para colocar tudo no devido lugar”, disse.

Também nessa segunda-feira, o Ministério Público da Bahia anunciou que está instaurando inquérito para apurar as causas, danos socioambientais provocados pelo rompimento da barragem, além das responsabilidades pelo acidente. São alvo da instituição a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e o Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), ambos ligados ao governo estadual.