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Reciclar e consertar, os desafios do setor automotivo para uma economia circular

Crédito: AFP

Mecânico remove a bateria de um veículo na fábrica Indra em Romorantin, centro da França,em 9 de setembro de 2021 (Crédito: AFP)

E se os veículos pudessem funcionar eternamente? Um ferro-velho de automóveis na França recupera todas as peças possíveis para reuso, um exemplo dos esforços da indústria para se adaptar à economia circular em nível mundial.



Em uma antiga instalação industrial de Romorantin-Lanthenay (centro), várias centenas de veículos avariados, acidentados ou no fim de sua vida útil esperam para ser desmontados.

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Nesta planta piloto da empresa Indra, 5.000 carros são inspecionados e desmontados em cadeia a cada ano, como se fosse uma fábrica de veículos. Há dez anos, era mais lento: um operário desmontava sozinho todas as peças.

Agora, o processo está industrializado e esta filial da Renault e Suez a exportou a uma dezena de centros em Portugal, Suíça e Bélgica, com o objetivo de multiplicar por dez o volume de carros reciclados.



Os operários rompem airbags, esvaziam os depósitos e recuperam em duas horas motores, pneus, painéis, retrovisores e qualquer peça que se considere valiosa. No total, cerca de 35% do peso do veículo, em média.

Os assentos ficam na carcaça. “Ainda não encontramos o modelo econômico para reciclá-los”, explica Olivier Gaudeau, diretor de engenharia na Indra-Re-source.

“Cruzamos a demanda do mercado com a qualidade das peças do veículo” para recuperar entre 300 e 400 euros (entre 348 e 464 dólares) de faturamento por cada carro, explica.

As peças são rapidamente colocadas em fila, à disposição de mecânicos e pessoas comuns. O restante será prensado, fundido, queimado ou reciclado.

Embora a cúpula do clima, a COP26 – entre o fim de outubro e novembro, na Escócia -, vá enfatizar a eletrificação dos veículos novos, cada vez mais fabricantes buscam gerir melhor o ciclo de vida de seus produtos para reduzir sua pegada de carbono.

– Veículos desmontáveis –

Muitos buscam, assim, renovar peças, reciclar baterias de carros elétricos, o plástico das carrocerias ou os metais preciosos dos conversores catalíticos.

Os volumes tratados seguem sendo uma gota no oceano dos 10 milhões de veículos vendidos anualmente na Europa, mas também são uma revolução em uma indústria que sempre visou vendas maciças.

A Jaguar Land Rover trabalha para melhorar a reciclagem de alumínio para reutilizá-lo na fabricação de carros. A Toyota busca que as peças sejam facilmente desmontáveis e, para isso, planeja criar 15 plantas piloto em todo o mundo até 2025.

“Não há mais nenhum tabu. Já não nos concentramos no novo”, afirma Jean-Denis Curt, encarregado de economia circular da Renault. “Mas a dificuldade é continuar sendo competitivo em relação aos materiais virgens”.

No fim de 2020, a indústria se reuniu pela primeira vez para refletir sobre uma estratégica circular global, sob a égide do Fórum Econômico de Davos.

“Com base na tecnologia atual, poderíamos reduzir em 75% as emissões de CO2 e em 80% o consumo de recursos até 2030 por passageiro e por quilômetro”, afirmam os autores de um relatório do Fórum, que propõem soluções práticas para a indústria.

A Europa pede desde 2015 que os veículos possam ser reciclados em 85% e espera revisar estas normas a partir de 2022.

“É também uma questão estratégica essencial para a Europa, que não tem um acesso evidente às matérias-primas e se encontra em fase de reindustrialização”, afirma Jean-Philippe Hermine, ex-encarregado da Renault, que se tornou especialista em mobilidade para o centro de reflexão Iddri.

No salão do automóvel de Munique (sudeste da Alemanha), a BMW apresentou no começo de setembro um protótipo chamado “iVision 2040”, 100% reciclado e reciclável, com um mínimo de peças, sem couro e sem tinta.

A fabricante alemã defende especialmente os monomateriais, produzidos com um único tipo de plástico ou metal e, portanto, mais facilmente reciclável.

“Há esforços sérios para olhar a indústria do lado circular, especialmente do ponto de vista econômico”, admite Benjamin Stephan, especialista em transporte do Greenpeace.

Mas, “os fabricantes deveriam começar construindo veículos eficazes do ponto de vista energético”, destaca Stephan, que aponta, por exemplo, aos utilitários leves (SUV) da BMW.


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