Ciência

Ratos liofilizados, uma nova técnica para conservar as espécies

Ratos liofilizados, uma nova técnica para conservar as espécies

Imagem cortesia da Universidade de Yamanashi (Japão) mostra crias de ratos geradas por esperma liofilizado - University of Yamanashi/AFP



Cientistas japoneses criaram clones de ratos com células liofilizadas, uma técnica que acreditam que poderá ser usada algum dia para conservar espécies, sem os desafios que enfrentam hoje os biobancos, indicou um estudo científico publicado nesta terça-feira (5).

Os biobancos floresceram em todo o mundo para conservar amostras de espécies ameaçadas, com o objetivo de assegurar sua sobrevivência através da clonagem.

Estas amostras, geralmente de esperma ou de células de ovócitos, normalmente são submetidas à conservação por criogenização em nitrogênio líquido ou a temperaturas muito baixas, processos que podem ser custosos e expostos aos cortes de energia.

Os pesquisadores da Universidade de Yamanashi buscaram evitar esses obstáculos mediante a liofilização – que consiste em retirar toda a água de um corpo por sublimação – das células somáticas. Ou seja, todas as que não estão relacionadas com o esperma nem com os ovócitos.




Os cientistas liofilizaram células extraídas da cauda de ratos ou de ovócitos imaturos de fêmeas. A liofilização matou as células e danificou seu DNA, mas foi possível utilizá-las para criar clones de blastocistos, um conjunto de células que se transforma em um embrião.

Depois, extraíram células-tronco que produziram 75 clones de ratos. Um deles, Dorami, sobreviveu um ano e nove meses. A equipe também conseguiu reproduzir nove fêmeas e três machos clonados com ratos normais.

Os exemplares demonstraram estar, em grande medida, saudáveis, exceto um grupo obtido a partir de células masculinas que apenas produziu fêmeas. A fertilidade dos ratos clonados também foi menor.


“Acreditamos que seremos capazes de reduzir as anormalidades e aumentar a fertilidade buscando protetores de liofilização e melhorando as técnicas de secagem”, explicou à AFP Teruhiko Wakayama, que contribuiu para a pesquisa publicada na revista científica Nature Communications.

A taxa de sucesso da técnica, 0,02%, continua sendo muito inferior à da criopreservação ou a de temperaturas muito baixas, que vão de 2% a 5%.

Contudo, Wakayama afirma que a técnica continua sendo inovadora. A que permitiu a clonagem de Dolly, a primeira ovelha clonada em 1996, precisou de 200 tentativas.

A longo prazo, esta técnica poderia “permitir conservar, economicamente e em segurança, materiais genéticos de todo o mundo”, destaca Wakayama, o que representa uma vantagem considerável para os países em desenvolvimento.

A equipe japonesa, pioneira na liofilização, enviou esperma liofilizado de rato à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), que retornou saudável depois de seis anos no espaço e permitiu, uma vez reidratado, produzir ratos.