Estilo

R$ 1 bi para as férias

Após a aquisição do Costa do Sauípe Resort no início do ano, o grupo Aviva Algar FLC, proprietário do Rio Quente Resorts, finca sua bandeira na hospedagem de entretenimento e quer chegar ao seu primeiro R$ 1 bilhão

R$ 1 bi para as férias

Mergulho tropical: o CEO do grupo Aviva Algar FLC, Francisco Neto, garante que o grupo vai continuar olhando para as regiões praianas

Em janeiro deste ano o Grupo Rio Quente Resort, complexo de hotéis e parques de Goiás, oficializou a compra do Costa do Sauípe, na Bahia, por R$ 140,5 milhões. O passo ousado de expansão motivou a troca do nome do grupo para Aviva Algar FLC e mexeu com a indústria hoteleira do País. Não só pelo tamanho — o grupo se tornou o maior resort de lazer do Brasil com 2,7 mil apartamentos e 2,3 milhões de clientes — mas pelo objetivo latente de transformar a hospedagem em entretenimento. Um conceito muito bem sucedido lá fora (como a Disney, por exemplo), mas ainda pouco explorado no Brasil. “Não somos os únicos a unir entretenimento e hospedagem”, diz Francisco Neto, presidente da Aviva Algar FLC. “Mas se formos pensar em tamanho e escala, somos os maiores.”

O Costa do Sauípe, maior resort de lazer do País, enfrentava problemas financeiros e prejuízos da ordem de R$ 30 milhões ao ano. Agora, para voltar a cativar os cerca de 700 mil turistas que escolhem esse destino, o grupo vai investir num parque aquático com inauguração prevista para 2021 e que promete ser o maior da América do Sul. Afinal, o Hot Park do Rio Quente, em Goiás, que pertence a eles, tem 55 mil metros quadrados e está na lista dos três melhores do Brasil pelo Traveller’s Choice do TripAdvisor. “A Bahia é o ponto de chegada de muitos turistas, mas o parque aquático mais próximo fica a uma hora de avião”, diz Francisco Neto, se referindo ao Beach Park, em Fortaleza. “E nós estamos mais próximos de São Paulo que é o principal polo emissor de turistas para o Nordeste.”

Repaginada: o resort Costa do Sauípe, na Bahia, vai passar por uma reforma geral nos restaurantes e nas configurações das praias. Em 2020 o local também vai contar com o maior parque aquático do Brasil

Para garantir a animação, o novo resort promete criar um “São João permanente”, inspirado nas tradicionais festas juninas de Caruaru (PE) e Campina Grande (PB). No âmbito da sustentabilidade, irá ampliar o Projeto Tamar, já pertencente ao Costa do Sauípe, que atua na preservação das tartarugas-marinhas. Também haverá renovação dos restaurantes e mudanças na configuração das praias utilizadas pelo empreendimento. “Não é mais suficiente ter só uma boa cama e uma boa gastronomia”, diz Neto. “É preciso criar experiências.”

O início das obras do parque aquático está previsto para o próximo mês com um investimento inicial de R$ 130 milhões. No total, o grupo vai investir R$ 1 bilhão no Costa do Sauípe e no Rio Quente Resort, sendo que R$ 400 milhões são apenas para o hotel recém adquirido. No Rio Quente, que inclui sete hotéis e dois parques aquáticos (Hot Park e Parque das Fontes), será construída ainda uma mini-cidade chamada Hot City, nos mesmos moldes do City Walk da Universal e do Disney Springs, ambos na Flórida. “Eles estão construindo uma narrativa totalmente diferente da que existe nos resorts do País”, diz José Sarkis Arakelian, especialista em administração estratégica da FAAP. “Hoje não basta ser só mais um hotel, você tem que ter diferencial para aumentar seu valor.”

Casas de luxo: o Rio Quente Resorts, em Goiás, vai construir um complexo de 40 casas de alto padrão com um investimento de R$ 70 milhões. As residências serão vendidas no modelo de “timeshare”

O grupo também vai ampliar os espaços mais luxuosos e privativos no Rio Quente. Cerca de 40 casas de alto padrão estão sendo construídas no complexo com um investimento de R$ 70 milhões. Elas vão funcionar pelo modelo de “Timeshare”, também conhecido como “férias compartilhadas”. O sistema permite a compra fracionada de imóveis ou a adesão a um clube de hospedagem para uso em um período determinado. O Grupo foi um dos primeiros no País a implantar esse tipo de empreendimento em 1998, e hoje é o líder na América do Sul, faturando R$ 360 milhões ao ano com esse modelo de negócio. “A hotelaria é muito resistente às mudanças, mas essas adaptações nos complexos mostram um olhar para o futuro”, diz Carolina Sass de Halo, sócia diretora da Mapie, consultoria especializada em gestão estratégica de serviços para hotelaria.

O faturamento de R$ 700 milhões neste ano e as projeções de alcançar R$ 1 bilhão em 2021 só com dois empreendimentos (Rio Quente e Sauípe) colocou o grupo, controlado pelo mineiro Algar e o goiano FLC Participações e Investimentos, no centro das atenções. “Já estamos recebendo propostas de empresas que querem se associar”, diz Neto. Por enquanto, o grupo não vê necessidade de dar esse passo. Eles querem primeiro se transformar no maior destino da hospedagem de entretenimento do Brasil.