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Quem vencerá a guerra do 5G?

Por ser uma tecnologia completamente disruptiva, o 5G será a base de avanços em diversas áreas, permitindo a adoção em maior escala de serviços transformadores como telemedicina, carros autônomos, smart cities e uma abrangente digitalização da sociedade.

Crédito: Evandro Rodrigues

Hoje, das dez empresas mais valiosas do mundo, sete são de tecnologia. Além de Amazon, Apple, Facebook, Google e Microsoft, há na lista duas empresas chinesas (Alibaba e Tencent). As próximas candidatas às primeiras posições nesse ranking são aquelas que basearem seus negócios ou desenvolverem serviços apoiados na rede 5G. O que está em jogo, quando falamos dessa tecnologia, é quem terá predominância nos próximos 10 a 15 anos do mercado.

Os EUA ainda não têm nenhuma empresa capaz de fazer frente à Huawei em tecnologia de acesso e equipamentos de rede. A companhia chinesa possui vantagens estratégicas: maior escala de produção, capacidade de implantação e entrega, além de uma tecnologia comprovadamente eficaz, com os seus equipamentos funcionando em diversas provas de conceito, em todo o mundo. Sendo, assim, ela é o competidor a ser batido quando se trata da quinta geração de rede móvel.

O medo de que os chineses capturem boa parte do valor do ecossistema que será criado a partir do 5G fez com que vários países proibissem a participação da Huawei, utilizando como plano de fundo uma possibilidade de espionagem — incluindo acusação de roubo, por parte dos chineses, de informações relacionadas a vacinas para a Covid-19.

O objetivo de banir a gigante chinesa nesses países é dar fôlego para que outras empresas possam evoluir na oferta da tecnologia necessária para implantação do 5G. As europeias Nokia e Ericsson poderão receber subsídios de seus países e apoio dos demais integrantes do bloco para que se tornem mais competitivas nesse mercado. Inglaterra e França já anunciaram restrições à Huawei.

No Brasil, a decisão sobre a presença ou não da empresa ainda não foi tomada. O embaixador americano no Brasil, Todd Chapman, chegou a confirmar que os EUA não irão contribuir com o financiamento do 5G por aqui caso o governo brasileiro opte por liberar a participação da empresa chinesa. Em meu modo de ver, a proibição, sem argumentos concretos, vai contra o livre mercado, porque quando a tecnologia é uma commodity, a preferência deve ser sempre pela empresa que oferece as melhores condições comerciais, maior qualidade e menor prazo de entrega. Criar uma situação artificial para priorizar uma empresa em detrimento de outra desrespeita os princípios de transparência.

Enquanto aguardamos a decisão no Brasil sobre a tecnologia do 5G, não posso deixar de comentar que a proposta (fatiada) de reforma tributária enviada pelo governo ao Congresso elevará ainda mais a carga paga pelo setor de Telecom. Algo que deveria ser debatido mais profundamente antes de ser aplicado, pois pode prejudicar o retorno no investimento necessário para viabilizar a quinta geração de rede, uma vez que as margens já se encontram em um patamar baixo e os impostos são demasiadamente altos.

Na guerra do 5G, ainda não sabemos quem será o vencedor, mas, certamente, se não adotarmos regras claras, isonômicas e inteligentes, sairemos atrasados e com alto risco de fracassar.

Carlos Eduardo Sedeh é CEO da Megatelecom e vice-presidente executivo Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (Telcomp)

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