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Quem está pronto para a revolução bancária?

Ao permitir a integração de aplicativos com os serviços por meio da abertura de interfaces de programação, desenvolvedores de outras empresas de tecnologia serão capazes de criar diversas aplicações.

Crédito: Evandro Rodrigues

E todas elas focadas nas experiências e na forma como os clientes interagem com seu banco. É um passo e tanto.

Essa mudança, tão esperada, está impregnada de dúvidas. E não só dos clientes que, em sua maioria, ainda não sabem exatamente o que é o tal do Open Banking, mas também dos agentes das instituições bancárias. Como diretor de inovação de uma empresa provedora de tecnologia para o mercado financeiro tenho percebido certa angústia dos players. Ninguém tem dúvidas de que esta será uma transformação, um marco, mas muitos me perguntam que tipo de estratégia devem entregar, em que base tecnológica. Basicamente, eles estão centrados em duas dúvidas: como posso me preparar? Como ser protagonista? Como entregar a melhor experiência?

Enquanto o Banco Central ouve as partes interessadas para definir o tamanho desse novo impulso digital que o País dará, tenho recomendado que estudem mais os mercados estrangeiros. Certamente podemos replicar aqui alguns modelos e aprender com o Reino Unido ou mesmo com os países do leste asiático, com a Austrália ou o México. Quais os erros e acertos de cada um deles?

Para fazer parte desse novo jogo, os bancos vão precisar se movimentar, sair da zona de conforto, olhar outros cenários, construir novos modelos de remuneração, de rentabilidade e até mesmo entender como essa rentabilidade será repartida. Temos uma bela oportunidade para criar soluções inovadoras, que serão benéficas e ágeis, mas que também precisam ser simples. Nesse novo paradigma, a competição será mais agressiva e com uma quantidade de agentes maior. Ganhará mercado aqueles que apresentarem as melhores soluções tecnológicas com foco centralizado na experiência do usuários e na economia ou entrega de melhores serviços com menores taxas. Como ficará o novo bolo do sistema bancário, me perguntam.

Por ora, acredito que as maiores fatias devem seguir mesmo com as instituições financeiras tradicionais, que já possuem estrutura para abraçar esse novo momento de abertura e de inovação. Praticamente todas já fecharam parcerias ou adquiriram startups e fintechs acostumadas a lidar com a rápida mudança do mercado e com olhar mais atento aos desejos dos clientes. Mas até quando será assim?

A abertura desse mercado pode atrair as bigtechs como Alibaba, Facebook e Google. Com grande volume de usuários e dados sobre eles, essas gigantes da tecnologia sabem usar essas informações a seu favor e com certeza apresentam um risco para essa concorrência mais segmentada no campo financeiro. Para citar um exemplo, temos a atual briga do Facebook para o lançamento no WhatsApp Pay que, apesar de limitado, tem aproximadamente 77 milhões de usuários no Brasil.

Pela primeira vez, a vantagem competitiva não estará somente no capital. Sairá na frente aquele que entender melhor seu cliente e antecipar sua demanda através de integrações. É uma oportunidade e tanto para inclusão dos desbancarizados e a pavimentação definitiva do caminho para iniciativas como o PIX e Sand Box. O futuro é logo ali.

*Leo Monte é diretor de inovação da Sinqia, provedor de tecnologia para o mercado financeiro

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