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Quem casa, quer casa

O namoro entre o site de classificados OLX e o portal de imóveis Grupo Zap resulta em uma aquisição de R$ 2,9 bilhões. O plano, agora, é surfar na retomada do setor imobiliário para dominar o segmento na internet.

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DONO DE CASA: Oudshoom, CEO da OLX no Brasil, agora vai comandar uma organização em que o maior negócio serão os anúncios de imóveis, superando os de carros. (Crédito: Divulgação)


Em oito meses, a arrumação da casa mudou bastante. O que poderia ser uma simples reforma, com uma reorganização societária, se tornou uma mudança completa. No ano passado, o Grupo Zap – que nasceu em 2017 com a fusão dos dois maiores sites de imóveis do Brasil, o Zap, do grupo Globo, com o VivaReal, de investidores internacionais – começou a procurar interessados por uma participação no negócio. Seria uma forma de os fundos venderem as suas fatias com lucro. A empresa ainda ganharia fôlego financeiro para a forte competição esperada para o setor à medida que o mercado imobiliário brasileiro se reaquece. Um interessado natural seria o site holandês de classificados OLX, controlado pelo grupo sul-africano Naspers e que tem nos anúncios de imóveis o segundo maior volume de seus negócios no Brasil, atrás apenas da venda de automóveis. Ele, logo, entrou na negociação e o namoro foi ficando sério. À medida que as conversas evoluíam, os negociadores percebiam que faria mais sentido para ambas as empresas que, em vez de entrar como um investidor minoritário, ocorresse uma compra completa. “Com uma aquisição, conseguiríamos extrair mais sinergias”, diz Joel Rennó Junior, executivo-chefe de finanças da OLX Brasil. “Ao integrarmos as equipes de tecnologia poderemos ter uma velocidade de inovação muito maior.”

Então, foi o que ocorreu, com o anúncio, na terça-feira 3, de que a OLX pagará R$ 2,9 bilhões pela totalidade das ações do Grupo Zap. A operação, a ser confirmada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), será concretizada por meio de um aumento de capital feito pelos donos da OLX. “O acordo reforça o comprometimento com o mercado local e com o desenvolvimento de um ecossistema sólido de tecnologia para ajudar usuários privados e profissionais no País”, afirma Andries Oudshoom, CEO da OLX no Brasil. “Isso irá permitir explorar melhor o segmento e acelerar a entrega de uma experiência superior para os consumidores.” Em agosto do último ano, a OLX já havia adquirido a Anapro, dona de tecnologia para a gestão de lançamentos imobiliários.

Esses investimentos, de fato, indicam que os controladores da companhia acreditam não só na capacidade de extrair negócios de sua operação local, mas também no potencial de recuperação da economia e do setor imobiliário brasileiro. “Nos estados mais ricos, como em São Paulo, já vemos um mercado aquecido”, diz Rennó. Segundo o executivo, ainda 90% dos negócios é feito de forma off-line, por meio de corretores e visitas presenciais.

Com a compra, a OLX ganhará força para ser dominante nessa nova tendência. Com um faturamento de R$ 400 milhões no Brasil, frente aos R$ 312 milhões de 2018, e 750 funcionários no País, ela terá agora a vertical de imóveis como o seu maior negócio. O Grupo Zap registrou receita líquida de R$ 217 milhões, em 2018, e possui 800 empregados.