Economia

Queda no mercado pode ser indício de desaceleração da economia mundial, dizem analistas

Os índices foram abaixo nesta quinta-feira (3) depois que a Apple anunciou a queda nas vendas e justificou a retração da economia chinesa como principal motivo

Queda no mercado pode ser indício de desaceleração da economia mundial, dizem analistas

A queda generalizada nos mercados nesta quinta-feira (3) pode ser o primeiro indício da desaceleração da economia mundial, afirmam especialistas. Os índices foram abaixo depois que a Apple anunciou a redução nas vendas e justificou a retração da economia chinesa como principal fator. O índice Dow Jones caiu 2,83%, enquanto S&P 500 recuou 2,48% e o Nasdaq cedeu 3,04%. As ações da empresa chegaram a desvalorizar 10% durante o pregão e encerraram o dia com retração de 9,96%.

A tendência é que outras empresas, de diversos segmentos, anunciem retração em seus relatórios de previsão de lucros, que devem ser publicados nas próximas semanas. A principal razão é a eminente desaceleração da economia da China após décadas de crescimento contínuo. A estimativa, segundo analistas, é que 2018 seja o pior ano para o país asiático desde 1990.

O gigante asiático provavelmente não atingirá sua meta de crescimento de 6,5% em 2018, informou a AFP. Depois de um crescimento médio de 9,7% entre 1978 e 2015, o dinamismo da economia chinesa é confrontado internamente com vários fatores estruturais, como envelhecimento populacional e a redução da mão de obra.

Segundo o professor e coordenador do curso de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Joelson Sampaio, a instabilidade no mercado de ações é o primeiro efeito de uma turbulência que posteriormente afetará a economia mundial.

“O que está acontecendo no mercado de ações dos Estados Unidos é um indicativo que antecede os resultados no chamado ‘mundo real’”, afirma. “Geralmente esses indicativos iniciam seis meses antes do impacto na economia.”

Ainda é cedo para medir o peso da retração da economia da China em âmbito global, diz o professor de Comércio Exterior da Fundação Dom Cabral (FDC), Carlos Braga. Para ele, os reflexos dependem de como o governo chinês lidará com o novo cenário.

“Já haviam sinais que a economia da China vinha desacelerando, como a queda na venda de carros e na ocupação de imóveis. Se for uma aterrissagem controlada, não será nada dramático. Já se for um pouso forçado, certamente será ruim.”

E o Brasil?

O mau humor global não contaminou o clima brasileiro. O dólar quebrou a casa dos R$ 3,80 e encerrou a quinta cotado a R$ 3,75, com queda de 1,23%. Já o Ibovespa, índice de desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo, fechou com alta de 0,61%, com 91.564 pontos.

Para os analistas, os fatores internos, como anúncios da nova política econômica do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o apoio do governo federal a reeleição de Rodrigo Maia (DEM) para a presidência da Câmara dos Deputados, garantiram os bons resultados.

Segundo Sampaio, o cenário nacional deverá se sobrepor a instabilidade de fora pelas próximas semanas e garantir a estabilidade no mercado de ações e na economia real. Porém, futuramente, o País também será influenciado pelas questões internacionais.

“Certamente vamos um efeito de médio e longo no prazo no Brasil. Agora, a economia está sendo influenciada pelo novo governo, o que ameniza um pouco os impactos de fora”, afirma.