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Que tal olhar para empresas que não estão na Bolsa?

Chegou a hora de viabilizar o financiamento para companhias de menor porte, sem as burocracias e cobrança das taxas proibitivas que temos visto até aqui.

Crédito:  Evandro Rodrigues

Durante toda a minha vida fiz parte da construção de grandes negócios e tive a oportunidade de conviver com executivos extraordinários e pessoas muito especiais. Foram muitas experiências. Comandei o crescimento da marca Richards, trouxe a espanhola Zara para o Brasil e tive uma passagem pelo Grupo Pão de Açúcar. Mas o que se tornou meu maior projeto foi co-fundar a Azul Linhas Aéreas e ser o primeiro CEO da companhia. Sempre fui movido pela energia da gestão e do empreendedorismo.

Faz mais de 15 anos que me dedico como mentor na Endeavor, onde pude orientar dezenas de pequenos e médios empresários e também aprender com eles. Hoje, depois de muitos anos na linha de frente, utilizo as experiências do passado para exercer meu lado investidor, atuando como sócio do Grupo Solum. A motivação de começar a investir em participações de empresas privadas veio com a necessidade de diversificar o patrimônio. Com a queda de juros, cada vez mais o tema “investimentos” passou a fazer parte do meu dia a dia.

A verdade é que os juros no Brasil atingiram níveis muito baixos historicamente, um patamar já praticado nos Estados Unidos desde o início dos anos 2000. Antes era fácil, com a renda fixa pagando bem, nós, brasileiros, sempre mantivemos parte relevante do patrimônio em ativos menos arriscados. Mas, se a gente pensar em como os americanos alocam recursos desde lá de trás, investimentos alternativos já fazem parte de seus portfólios há décadas. Não é à toa que a indústria de private equity já é consolidada e a de venture capital se desenvolveu a passos largos por lá, em especial após a crise de 2008.

Chegou a nossa hora de desenvolver mais esse segmento e, conhecendo a realidade empresarial brasileira, meus olhares estão voltados para as PMEs que fazem a economia girar e estão fora do radar da maioria dos investidores. Diferentemente de qualquer outro tipo de investimento, a oportunidade de alocar capital nos negócios em que a gente acredita, em segmentos que nós conhecemos, faz tudo ter mais sentido.

Hoje, muitos empresários estão fragilizados com seus negócios fortemente afetados pela pandemia da Covid-19. São pessoas que vivem um cenário bastante delicado, difícil economicamente e emocionalmente, e estão aprendendo a se reinventar. Devemos considerar que contextos de crise tendem a acelerar grandes tendências. Uma delas, há muito tempo praticada fora do Brasil, e também aqui por uma minoria, é o investimento em participações de empresas que não estão na Bolsa. Aposto muito no salto dessa indústria nos próximos anos, e o momento é para isso. Nunca antes os empresários brasileiros precisaram tanto de financiamento.

Isso gera muitas oportunidades para investidores com visão de longo prazo. Os governos e órgãos reguladores estão mais abertos para ouvir soluções da iniciativa privada e ampliar o acesso a crédito, e mobilizados para acelerar a retomada da economia. O que o nosso País precisa é de um esforço conjunto das iniciativas pública e privada. Afinal, uma das maiores lições dessa pandemia é a importância do coletivo.

Pedro Janot é sócio e conselheiro do Grupo Solum.

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