Quatro passos para reestruturar uma empresa sem destruir sua cultura

Quatro passos para reestruturar uma empresa sem destruir sua cultura

A cultura de uma empresa é o seu maior ativo, algo que deve ser protegido

Momentos de grandes mudanças, desafios econômicos, perdas de grandes contratos ou de clientes importantes podem desencadear a necessidade de uma reestruturação na sua empresa. Quando um cenário assim se impõe, é preciso mapear, planejar e simular os impactos da mudança, separando o que é impacto de curto prazo e o que terá consequências estruturais. Aja rápido para otimizar operações ou unidades de negócios, lembrando que a agilidade tem que ser combinada com planejamento. Rápido, mas sem precipitação. Tenha clareza de que será preciso proteger o seu principal ativo: os seus talentos e a cultura da empresa. Essas premissas devem nortear todo o processo.

Em momentos críticos, é natural que inseguranças e dúvidas atinjam os times. Tudo o que escrevemos e seguimos sobre os pilares de uma cultura de propósito e resultado é colocado em xeque. Nessas horas, é muito difícil falar em autonomia, transparência e clima engajador. Por isso, é fundamental ampliar a admiração que os colaboradores têm pela postura da companhia e por seu propósito. Ainda que seja necessário fazer desligamentos, uma empresa deve preservar sua narrativa e alimentar a paixão de seus colaboradores.

Quatro passos críticos devem ser observados para reestruturar e otimizar uma operação sem comprometer a cultura da empresa:

1) Comunicação clara e transparente. Assim que você tiver conteúdo suficiente para explicar aos colaboradores os impactos gerados, mesmo que sejam profundos, abra a comunicação franca e honesta. Detalhe os impactos e os números, e não tente “dourar a pílula” internamente. Você vai ver que os seus colaboradores já têm conhecimento desses impactos e, em geral, até possuem uma visão ainda mais grave da situação.

2) Busque comprometimento e envolvimento, não só talento. É normal que nessas horas uma cultura forte e meritocrática busque reter os melhores talentos. Mas há algo ainda mais importante que isso: o nível de comprometimento e “aposta” na empresa. Avalie seriamente a possibilidade de fazer um programa voluntário de demissão. Mesmo que a contrapartida ofertada não seja tão atrativa, você se surpreenderá com muitas pessoas que entendem o momento da empresa e desejam, por exemplo, ter seu próprio negócio ou simplesmente mudar. Tenha uma certeza: meritocracia pura é para todas as ocasiões, mas nos momentos desafiadores, comprometimento com a jornada é ainda mais fundamental. Você vai ver que terá maior envolvimento dos que ficarem e, em geral, a correlação dos remanescentes com os talentos acaba sendo muito alta.

3) Ofereça alternativas internas e externas. Suspenda recrutamentos externos no período de reestruturação. Fazer grandes cortes enquanto outras áreas recrutam não é uma boa prática. Abra a mente para dar oportunidades internas às áreas que estão sofrendo cortes. Se a cultura da companhia é forte, você irá se surpreender com a capacidade dos seus times de se adaptarem e aprenderem novas habilidades ou rotinas. Por outro lado, contate parceiros que estejam recrutando, concorrentes, fornecedores ou clientes. Com isso, além do apoio aos profissionais que buscam recolocação, você terá ex-colaboradores satisfeitos trabalhando em empresas que podem gerar contratos estratégicos para a sua companhia mais à frente. Dedique duas a três semanas a isso e você perceberá o retorno.

4) Coerência nos desligamentos. Se tiver que fazer desligamentos, busque a forma mais coerente e sincera possível. Sem rodeios ou justificativas, mas com o máximo respeito e atenção que os profissionais merecerem. Eles serão sempre gratos por esse zelo e acabarão por formar um banco de talentos maravilhoso para o retorno ao crescimento.

Ao ler estes passos críticos, se veio na sua mente algo do tipo: “poxa, mas minha empresa já está atravessando um momento difícil e eu ainda tenho que dedicar mais energia para proteger os times?”, então, repense. A cultura de uma empresa é o seu maior ativo, algo que deve ser protegido. Os colaboradores que permanecerem vão se orgulhar ainda mais da empresa e de sua trajetória de superação. Diante disso tudo, mantenha um olhar construtivo. Transforme situações difíceis em momentos simbólicos com base no que sua empresa acredita.

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Sobre o autor

Heverton Peixoto é CEO-Presidente da Wiz. Graduado em Engenharia Civil, com MBA em Corporate Finance no Insead, foi consultor da Mckinsey & Company de 2008 a 2013 em projetos estratégicos no mercado bancário e de seguros da América Latina.


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