Quanto devo poupar?

Conforme citei em meu texto anterior, o segredo da prosperidade está em poupar na origem. Mas qual percentual da renda ou faturamento deve ser poupado? Para mim, mais importante do que indicar um percentual específico, é a disciplina de manter essa prática ao longo dos anos. Por isso, compartilho agora como apliquei esse conceito em meus empreendimentos.

Com a decisão de poupar na origem, chamei meu então diretor financeiro e orientei: “Baroni, quero que você abra uma nova conta bancária. Diariamente, ao contabilizar nosso faturamento, receita, renda, ou seja, todo o dinheiro que entrar na empresa, você vai separar 10% e depositar nessa nova conta”. A reação dele foi imediata: “O que você vai fazer com esse dinheiro? Vai comprar um carro novo? Vai comprar uma casa? Vai fazer uma reforma na empresa?” Minha resposta também foi direta: “Não sei o que vou fazer com o dinheiro. Apenas preciso que você separe 10% do faturamento e coloque nessa conta”. Ele não entendeu muito bem, ficou um pouco surpreso, porém, fiel como sempre, passou a assim fazer.

Depois de alguns meses o chamei novamente  e lhe disse: “Baroni, estamos ganhando escala, aumentando o faturamento da empresa e melhorando a qualidade de compras. Isto é, nossa margem de lucro aumentou. A partir de agora, você vai separar 15% do faturamento da empresa e depositar nessa conta formadora do patrimônio futuro”. Surpreso mais uma vez, ele apenas concordou. Alguns anos depois, determinei que o percentual seria de 20%, um tempo depois de 25% e finalmente, de 30% do faturamento da empresa.

Foi com esse recurso acumulado que conseguimos fazer diversas aquisições. Ao todo, compramos dez empresas concorrentes sem precisar bater na porta de bancos pedindo dinheiro emprestado. Foi graças a esse modelo de gestão financeira que um dia fui surpreendido ao receber, na sede da empresa, um grupo de investidores britânicos trazendo uma proposta bilionária para adquirir meu negócio. Graças a esse modelo de gestão, sai de uma conta com saldo de três mil reais para ter minha condição financeira publicada pela revista Forbes. Não fosse pelo conceito de poupar na origem, nada disso teria acontecido.



Agora é sua vez de responder à pergunta: Quanto devo poupar? Essa é uma decisão pessoal. Ninguém pode fazer isso por você.  Mas lembre-se: poupar na origem é uma escolha entre buscar a prosperidade ou perpetuar sua condição financeira atual.

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Sobre o autor

Carlos Wizard Martins, 64 anos, é empresário, controlador do Grupo Sforza Holding, escritor e empreendedor social.


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