Tecnologia

Quando os gênios ensinam

Em seis anos, a plataforma on-line MasterClass chega a US$ 2,7 bilhões em valor de mercado, trazendo professores estrelados como o arquiteto Frank Gehry, a fotógrafa Annie Leibovitz, o jornalista Bob Woodward e o diretor Martin Scorsese.

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PARA ESGOTAR O ASSUNTO Ganhador do Oscar por A Rede Social (2010), o roteirista Aaron Sorkin, em uma parte de seu curso em que analisa textos de estreantes, após mais de sete horas de aulas em primeira pessoa, em 35 vídeos. (Crédito: Reprodução)

A sensação de assistir a uma aula magna de um grande da sua área é a de que absorveu lições de vida e profissionais preciosas — e a de que tem perspectivas a mais que seu concorrente. A pandemia relegou os cursos ao ambiente on-line, mas um se destaca pela grandiosidade de seus professores, o americano MasterClass, criado em 2015, que de tão inflado de investimentos pode estar preparando um IPO logo na virada do ano. Não se trata de um MOOC, ou Curso On-line Aberto e Massivo, traduzindo a sigla do inglês, como os oferecidos pela Udemy ou Coursera. É um curso que tem como professor, por exemplo, um sujeito que ganhou US$ 350 milhões com um filme só: James Cameron, em Avatar. Ou um Nobel de Economia como Paul Krugman. E numa pausa da aula você pode pular para Massimo Bottura, chef do três estrelas Michelin Osteria Francescana, ensinando a reler um clássico tagliatelle al ragu, ou melhorar seu tênis com a vencedora de 23 Grand Slam, Serena Williams.

O criador do MasterClass é o americano David Rogier, enquanto ainda estudava na Universidade Stanford. E a operação tem sido mais do que bem-sucedida, mas não só por atrair grandes nomes — pois essa parte foi dura, com um ano de e-mails e ligações infrutíferas até conseguir as primeiras grandes personalidades. “As pessoas querem aprender e, mais do que isso, ter de volta o prazer do aprendizado. Colocamos o aluno na sala com as melhores mentes de nosso tempo”, afirmou Rogier ao TechCrunch. A mais recente rodada de investimentos do MasterClass, já em sua série F, trouxe para a plataforma US$ 225 milhões, liderada pela Fidelity Investments, triplicando o valor do MasterClass para US$ 2,75 bilhões, de junho de 2020 para o segundo trimestre de 2021, de acordo com a Pitchbook, analista de dados de mercado.

INSEGURANÇA A ideia é esgotar o que o professor tem a compartilhar, ao contrário de espremer tudo em uma hora de palestra, como um TED Talk. Daí você tem um presidente do conselho e ex-CEO da Disney Bob Iger, que em 15 anos elevou o valor de mercado da empresa do Mickey de US$ 48 bilhões para US$ 257 bilhões, ensinando estratégia de negócios, liderança, como enxergar aquisições e a importância de tomar decisões arriscadas, tudo isso como se estivesse no sofá da sua sala, em um papo íntimo e revelador. Ah, se achar que precisa melhorar suas piadas e humor em reuniões, o ator e comediante Steve Martin tem algumas dicas.

Nem todos são bons professores e Rogier lembra que foi curioso notar como alguns grandes nomes que sabem tudo em sua área se mostraram inseguros quanto a ensinar. Como funciona para os professores? Eles ganham um fee inicial e uma porcentagem cada vez que suas aulas são acessadas. Antes de gravarem, passam cerca de dois meses com uma equipe exclusiva criando o conteúdo. As gravações, já organizadas, correm em alguns poucos dias.

A boa fórmula do MasterClass não é oferecer os cursos on spot, e sim como assinatura anual com acesso ilimitado aos mais de 150 tutores, nos mais variados setores, tudo por US$ 180. Enquanto outras plataformas veem suas vendas caírem com o esmaecimento da pandemia e desânimo dos investidores nesses cursos, o concorrente mais estrelado vem numa tocada arrebatadora.