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Protestos recomeçam em Bagdá e no sul do Iraque


Os protestos se intensificaram no sul do Iraque e na capital do país, Bagdá, neste domingo (19), com manifestantes indignados pela lentidão das reformas bloqueando as ruas com pneus em chamas.

As manifestações para pedir a reforma do sistema no poder sacodem o Iraque desde o começo de outubro, mas, nas últimas semanas, tiveram menos destaque, devido ao recrudecimento da tensão entre os inimigos Irã e Estados Unidos, ambos padrinhos de Bagdá.

Centenas de jovens retomaram hoje o movimento com manifestações na Praça Tahrir de Bagdá e na vizinha Praça Tayaran. Outros queimaram pneus para bloquear estradas e pontes, o que provocou congestionametos em toda a cidade. “Esta é a primeira escalada”, declarou um manifestante. “Queremos enviar uma mensagem ao governo: ‘Deixem de vacilar’.”

As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que responderam lançando pedras. Dez pessoas, entre elas policiais, ficaram feridas em confrontos, informou uma fonte médica.

Na cidade sagrada de Najaf, jovens agitando bandeiras iraquianas também queimaram pneus e iniciaram um protesto sentados na estrada principal que leva a Bagdá.

– Eleições antecipadas e reformas –

Muitos manifestantes também se concentraram hoje nas cidades de Diwaniya, Kut, Amara e Nasiriya, no sul do país, onde a maioria das repartições públicas, escolas e universidades estão fechadas há meses.

Os manifestantes pedem eleições antecipadas, conforme a reforma na lei eleitoral, um novo premier, que substitua o chefe de governo demissionário Adel Abdel Mahdi, e a prestação de contas de todos os funcionários considerados corruptos.

Mahdi renunciou há quase dois meses, mas os partidos ainda não conseguiram chegar a um acordo sobre seu sucessor. Os manifestantes rechaçam publicamente os nomes que circulam como possíveis substitutos e estão furiosos por não terem sido aplicadas outras medidas de reforma de grande envergadura.

“Começamos hoje a intensificar nosso movimento, porque o governo não atendeu às nossas demandas, em particular formando um gabinete independente, que poderia salvar o Iraque”, declarou o manifestante Haydar Kadhim em Nassiriya. “Na última segunda-feira, demos a eles um prazo de sete dias.”

Com quase 460 mortos e mais de 25 mil feridos desde 1º de outubro, o movimento de protesto popular, inédito por seu caráter espontâneo, é o maior e mais sangrento no Iraque em décadas.