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Promotoria sueca pede a detenção de Assange como suspeito de estupro

Promotoria sueca pede a detenção de Assange como suspeito de estupro

O fundador do WikiLeaks Julian Assange na varanda da embaxiada do Equador em Londres, onde permaneceu asilado por sete anos, em 19 de maio de 2017 - AFP

A Promotoria sueca apresentou nesta segunda-feira uma solicitação formal de detenção para Julian Assange, já detido no Reino Unido, com o objetivo de que um tribunal emita uma ordem de prisão europeia por um suposto estupro cometido em Estocolmo em 2010.

“Solicito ao tribunal a detenção de Assange em sua ausência por suspeitas de estupro”, anunciou em um comunicado a vice-procuradora sueca Eva Marie Persson, uma semana depois da reabertura da investigação contra o fundador do Wikileaks, detido em 11 de abril na embaixada equatoriana em Londres.

Deter alguém em ausência é um mecanismo do sistema legal sueco se o suspeito está fora do país ou não pode ser localizado.

A Promotoria informou que prepara o pedido com o tribunal provincial de Uppsala.

“Se a corte decidir por sua detenção, emitirei uma ordem de prisão europeia”, afirmou Persson.

O hacker australiano, que permaneceu por sete anos na embaixada do Equador em Londres para evitar uma extradição à Suecia, foi detido em 11 de abril na representação diplomática, depois que as autoridades equatorianas retiraram o apoio.

Um tribunal de Londres condenou Assage no dia 1 de maio a uma pena de 50 semanas de prisão por violar as condições de sua liberdade condicional.

A investigação da justiça da Suécia está relacionada a um suposto caso de abuso sexual ocorrido em 2010 entre Assange e uma sueca que ele conheceu durante uma conferência em Estocolmo.

Assange sempre negou a acusação de estupro.

As autoridades suecas arquivaram a investigação do caso em 2017, depois que a promotora Marianne Ny admitiu que não era possível avançar no trabalho pelo fato de Assange estar na embaixada do Equador, o que impedia o acesso a ele.

A Promotoria decidiu reabrir a investigação em 13 de maio após a detenção do fundador do Wikileaks em Londres.

– Futuro incerto –

Assange também é objeto de uma demanda de extradição dos Estados Unidos, onde é investigado por conspiração para cometer invasão cibernética. Uma investigação que só foi revelada após sua impactante detenção na embaixada do Equador em Londres.

Persson afirmou que as autoridades britânicas decidirão para qual país Assange deve ser extraditado.

“As autoridades britânicas decidirão qual é sua prioridade. O resultado do processo é impossível de prever”, disse.

“As autoridades britânicas vão decidir qual é sua prioridade. O resultado deste processo é impossível de prever”, disse ele.

Contactado pela AFP, o tribunal de Uppsala indicou que a audiência em que o pedido de detenção será examinado ainda não foi agendada.

Per Samuelson, advogado sueco de Assange, disse que não acredita que esta audiência será realizada durante esta semana, já que ele não terá tido tempo para discutir esta situação com seu cliente.

“Escrevi para o tribunal e disse a eles que não podiam realizar a audiência de detenção antes de me encontrar com meu cliente e receber instruções.”

“Depois da detenção em Londres, não pude entrar em contato com Assange, nem mesmo por telefone”, explicou Samuelson à AFP.

– Equador apreende pertences –

Por outro lado, as autoridades equatorianas realizaram nesta segunda, a pedido dos Estados Unidos, a identificação e apreensão dos pertences de Assange, desencadeando o protesto de seus seguidores, que gritaram slogans contra o presidente do Equadordiante da embaixada do Equador em Londres.

“Lenín Moreno, traidor, ladrão!”, gritavam cerca de dez manifestantes nas portas do prédio, onde exibiam cartazes com os dizeres “Protejam a liberdade de expressão e informação” e “Assange Livre, não o extraditem para os Estados Unidos”.

De acordo com uma diligência do Ministério Público Equatoriano, datada de 8 de maio e distribuída pelo WikiLeaks, os funcionários registraram documentos, computadores, telefones, unidades de armazenamento de dados “e qualquer outro artigo que possa ser pertinente à investigação”.

O Ministério das Relações Exteriores ressaltou que isso responde a um “pedido de assistência judicial apresentado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos”, em conformidade com a Convenção Interamericana sobre Assistência Mútua em Matéria Penal.

Uma vez confiscado o material, explicou há uma semana o chanceler equatoriano, José Valencia, a acusação decidirá “que bens devem ou não ser compartilhados com as autoridades dos Estados Unidos”.

Contactada pela AFP, a embaixada equatoriana não quis fazer comentários.