Agronegócio

Produzir grãos no RS em 21/22 terá melhor relação de troca em 1 década, diz FecoAgro

Produzir grãos no RS em 21/22 terá melhor relação de troca em 1 década, diz FecoAgro

Agrônomos checam lavoura de soja em Cruz Alta (RS)

SÃO PAULO (Reuters) – Os custos de agricultores com a produção de milho e soja no Rio Grande do Sul deverão aumentar quase 30% na safra 2021/22 em comparação com a temporada anterior, mas os bons preços das commodities ainda favorecem a relação de troca com insumos, estimada para ser a melhor em cerca de uma década, disse nesta segunda-feira a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS).

Segundo levantamento da entidade, os custos têm sido pressionados pela valorização do dólar frente ao real e a elevação dos preços dos principais produtos agrícolas, que deram impulso ao aumento nas despesas com fertilizantes e demais insumos.

Além disso, a FecoAgro/RS também citou aumentos nos preços de combustíveis e máquinas e equipamentos como fator para a elevação do desembolso na próxima safra.

Conforme os números da federação, o avanço no custo operacional do milho foi estimado em 27,36% ante 2020/21, a 4.549,94 reais por hectare, enquanto o custo total foi projetado em 6.625,43 reais, alta de 1.590,85 reais por hectare na comparação anual.



No caso da soja, os cálculos da FecoAgro/RS apontam um desembolso de 3.098,25 reais por hectare, aumento de 29,98%, com custo total estimado em 4.800,76 reais/hectare, elevação de 31,78% na mesma base de comparação.

Apesar disso, ambas as commodities apresentam relações de troca favorável no Estado, ponderou a federação. Para o milho, o índice é o melhor nas últimas dez safras, enquanto a soja tem a relação mais favorável em nove temporadas.

Isso decorre dos altos preços em que os produtos agrícolas têm sido negociados, em meio a uma firme demanda e baixos estoques globais.

Na bolsa de Chicago, a cotação da soja atingiu na semana passada o maior nível desde 2012, chegando a superar a marca de 16 dólares por bushel, e o milho girou em torno de máximas de oito anos, antes de devolverem alguns ganhos na reta final da semana.

Em nota, o presidente da FecoAgro/RS, Paulo Pires, destacou que, mantendo-se os atuais preços pagos e os custos projetados, o produtor terá uma rentabilidade melhor na cultura do milho do que na soja no Estado.

“O levantamento da FecoAgro/RS salienta que, embora o produtor esteja mais capitalizado neste ano, é preciso ter cautela, pelo fato de ocorrer momentos cíclicos de bons preços, pois o mercado é volátil e o produtor enfrenta risco”, acrescentou a entidade.

(Por Gabriel Araujo)

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