Semanal

Privatizar a Petrobras é mais um jogo de cena de Bolsonaro

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante pronunciamento sobre preço dos combustíveis e a política de reajustes adotada pela Petrobras (Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O liberal da economia e conservador dos costumes, como se autodefine o presidente Jair Bolsonaro, insiste em subestimar a capacidade cognitiva dos eleitores – prejulgando como se todos fossem intelectualmente iguais a seus seguidores. O maior intervencionista econômico e destruidor dos bons costumes entre todos os líderes que o País já teve, Bolsonaro rascunha um jogo de cena para tentar salvar sua máscara de liberal de direita: pedir estudos para privatizar a Petrobras. A pouco mais de seis meses de desocupar o Palácio do Planalto, pelos meios democráticos ou berrando acusações de fraude nas mesmas urnas eletrônicas que os levaram para lá, o Jair do Jet-Ski quer mostrar aos súditos que até tentou reduzir o tamanho do Estado e o peso das estatais na máquina pública, mas que foi mais uma vez tolhido pelo Congresso e pelo STF.



A questão não é se a Petrobras deve ou não sair da barra da saia da União. Existem bons argumentos para defender ou atacar a privatização. Mas o ponto-central do debate vai muito além disso. O timing da iniciativa expõe, de forma clara, que a maior empresa brasileira tem sido, mais uma vez, explorada como ferramenta de uso político. As demissões dos últimos presidentes da companhia, a pressão para mudar a política de alinhamento internacional dos preços e as desonerações como afago a caminhoneiros mostram que a Petrobras é essencial nas ambições populistas do presidente. Mas Bolsonaro e a equipe econômica sabem que não há mais tempo para a venda das estatais em 2022. Antes, há uma série complexa de trâmites legais até ser autorizada. Ou seja, vai ficar para o próximo governo.

O desespero do governo Bolsonaro para baixar a maior inflação em 26 anos

A encenação bolsonarista com a privatização fake da Petrobras ganha mais importância às vésperas da corrida eleitoral porque o preço dos combustíveis e a inflação fora de controle são vistos hoje como os maiores obstáculos à reeleição do presidente. Então, criar algum enredo que sinalize tentativa de mudança é a alternativa para apanhar menos nos debates que se aproximam. Afinal, o presidente já gastou todos os migués possíveis e imagináveis para escapar dos confrontos de ideias nas eleições anteriores.

Vender a Petrobras se tornou a mais nova bandeira de Bolsonaro para resolver os problemas do País. A privatização pode até ser positiva para o Brasil em médio prazo. Mas a solução para grande parte dos problemas será tirar seu governo da gestão da máquina pública. Privatizar Bolsonaro parece a melhor e mais eficiente saída para consertar todo o estrago que está aí.

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