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Privatizações animam Itaú BBA

Expectativa de crescimento da economia em 2020, expansão de ofertas de renda fixa e variável no mercado de capitais e programa de desinvestimento do governo federal são três pilares que impulsionam as estratégias do banco de atacado do Itaú

Crédito: SOLANGE MACEDO

Diante da alta de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última terça-feira 3, grandes instituições financeiras como o Itaú BBA confirmam que a roda da economia brasileira começa a girar num ritmo maior. Para o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, isso embala expectativas mais otimistas para o próximo ano, mesmo com o cenário global ainda carregado de incertezas. “Não tem sido usual fazer revisões positivas, mas o crescimento de 0,6% é uma boa notícia. Se colocar na conta, o PIB está rodando a 1,2% ao ano, e nossa previsão anterior era 1%. Para o quarto trimestre, se espera 0,7%, e com isso, o PIB termina 2019 num ritmo de 2% ao ano.” Nesse embalo, a economia cresceria 2,2% em 2020 e terminaria o exercício em ritmo de 3%. “Toda projeção envolve riscos e o ambiente internacional permanece desafiador”, diz.

Nesse cenário que se desenha favorável, o presidente do Itaú BBA e diretor geral de atacado do Itaú Unibanco, Caio David, considera que a instituição terá condições de seguir desenvolvendo suas frentes estratégicas prioritárias definidas desde 2017: clientes, digital, pessoas, internacional, risco e rentabilidade. “O PIB vai ser melhor e todos esses investimentos vão trazer frutos importantes para o banco e para nossos clientes”, afirma. Além do PIB, David acredita que o programa de venda de ativos pelo governo federal ajudará nessa dinâmica até 2022. “Dentro da agenda de desinvestimentos, a estimativa é de quase R$ 100 bilhões por ano em privatizações”, diz. O executivo considerou que o governo já bateu essa meta em 2019 e que nos próximos três anos esse montante pode oscilar um pouco, mas a média de R$ 100 bilhões por exercício fiscal é factível com os planos do ministro da Economia, Paulo Guedes, de reduzir a fatia do estado na economia.

Se isso se concretizar é evidente que o banco de atacado do Itaú, assim como seus principais competidores, terão muito trabalho pela frente para estruturar operações de fusões e aquisições (M&A) e também ofertas de renda fixa (debêntures e notas promissórias) no mercado de capitais de concessionárias de serviços públicos nas áreas de infraestrutura, logística, energia e saneamento. Além disso, o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal também são clientes de instituições privadas como o Itaú para a coordenação e a distribuição de ofertas de renda variável (ações) nos casos de vendas de participações de subsidiárias das estatais. Para o próximo ano, o Itaú BBA vê alta de 10% a 15% nas operações de renda fixa, e 20% no segmento de IPOs (ofertas iniciais de ações) e follow-ons (aumento de capital via ações).

Segundo dados do ranking da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) da soma de 2019 até outubro, o Itaú BBA lidera tanto no consolidado de renda fixa (30% de participação) quanto no volume em operações de renda variável nas categorias ofertas subsequentes, com partes relacionadas e sem partes relacionadas. Já o BB lidera no volume em ofertas iniciais (IPOs) e a XP em ofertas no varejo. “Temos uma avenida de crescimento do mercado de capitais”, diz Christian George Egan, diretor executivo do Itaú BBA. Para João de Biase, também diretor executivo do BBA, os setores da construção, saneamento, varejo e consumo demandarão mais ofertas caso a economia reaja.

FOCO NO FUTURO Caio David, presidente do Itaú BBA diz que a empresa terá em 2020 condições de prosseguir com os planos de investir em clientes, digital, pessoas, internacional, risco e rentabilidade (Crédito:Divulgação)

Mesquita ainda aponta ambiente favorável para avanço do crédito em 2020. “Tivemos dois trimestres de expansão do investimento. O crédito vem recuperando, e dois terços do nosso PIB é consumo doméstico. A renda começa a crescer. Isso tudo favorece a expansão doméstica. Mas, como na crise, o mercado de trabalho (formal) é o último a piorar, e na retomada é o último a melhorar”, diz. Caio David vai além. “A gente vê crescimento da atividade de crédito ano que vem e vamos continuar investindo em nossa plataforma regional”. Vale lembrar que o Itaú BBA atua na América Latina, que responde por cerca de 20% do crédito do conglomerado Itaú. “Temos visão positiva para Paraguai e Uruguai, e incertezas sobre a Argentina e o Chile.”

INICIATIVAS Na mesma coletiva de imprensa realizada na última terça-feira 3, em São Paulo, Flávio Augusto Aguiar de Souza, diretor executivo do BBA, falou da criação do segmento agro dentro do banco para atender a agroindústria de médio e grande porte e produtores rurais. Já João de Biase ressaltou a criação do núcleo Tech, para empresas inovadoras. “Queremos atender esse público desde suas primeiras necessidades até os eventos estratégicos (M&A ou IPOs)”, finaliza.