Dinheiro em Ação

Privatização da Eletrobras fica mais difícil

Privatização da Eletrobras fica mais difícil

Papéis avulsos

A privatização da Eletrobras, um dos principais projetos do governo Michel Temer, ficou mais difícil. Na quarta-feira 27, Ricardo Lewandowski, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma medida cautelar que exige autorização do Congresso Nacional para vender seis distribuidoras de energia deficitárias que pertencem à estatal. A decisão fez as ações caírem 5,1% na quarta-feira 27. Embora ainda tenha que passar pelo plenário do STF, a medida já está valendo e pode adiar o leilão, marcado para o dia 26 de julho. A venda das companhias, que atuam em seis Estados da região Norte, é essencial para viabilizar a privatização da própria Eletrobras. O presidente da companhia, Wilson Ferreira Jr., já havia se precavido de algum entrave em relação à venda. Antes mesmo da decisão de Lewandowski, ele havia convocado uma assembleia de acionistas para o dia 30 de julho. Na ocasião, será proposta uma votação para adiar o prazo da venda até o fim de 2018, ou então pela liquidação das empresas, que poderia custar cerca de R$ 23 bilhões à estatal.

 

Quem vem lá

JHSF Malls obtém registro de companhia aberta

A JHSF Malls, subsidiária de shopping centers da JHSF Participações, obteve na semana passada o registro de companhia aberta pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A JHSL Malls controla, entre outros, os shoppings Cidade Jardim, em São Paulo, e Bela Vista, em Salvador. A companhia havia anunciado em fevereiro a intenção de captar recursos, mas o procedimento havia sido suspenso em abril para que a empresa concluísse a cisão com sua controladora. Os analistas avaliam a operação em R$ 800 milhões.

 

Aviação

Azul venderá ações no exterior

A companhia aérea Azul lançou na quarta-feira 27 uma oferta pública de distribuição secundária de ações nos Estados Unidos e demais mercados internacionais. O objetivo da oferta é permitir a saída de um dos controladores da empresa aérea, a Hainan Airlines Holding. Controlada pelo grupo chinês HNA, a Hainan possui 17,95% do capital da Azul. Na distribuição serão ofertados pouco mais de 19,3 milhões de American Depositary Shares (ADS), cada um representando três ações preferenciais da Azul. O preço mínimo por ADS será de US$ 16,15 (R$ 62,29). No ano, as ações da Azul caem 20,4% na B3.

 

Touro x Urso

O acirramento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China derrubou as bolsas de todo o mundo. Analistas já confirmam a configuração de uma guerra comercial e traçam os potenciais danos para os mercados e para a economia mundial. Isso vem afastando os investidores estrangeiros, que sacaram R$ 10,6 bilhões do mercado brasileiro no primeiro semestre, maior resultado já registrado para os seis primeiros meses do ano. A queda do Índice Bovespa em, 2018, até a quarta-feira 27, foi de 7,6%.

 

Destaque no pregão

Duratex aposta na celulose solúvel

A Duratex, fabricante de painéis de madeira, louças e metais sanitários, anunciou sua entrada no segmento de celulose solúvel, com investimentos de US$ 1 bilhão. A companhia vai construir uma fábrica com capacidade para produzir 450 mil toneladas por ano em parceria com o grupo austríaco Lenzing. Segundo Antonio Joaquim de Oliveira, presidente da Duratex, será a maior linha de produção de celulose solúvel do mundo. O segmento tem potencial para responder por um terço dos resultados da empresa, que lucrou R$ 180,5 milhões no ano passado. Na avaliação dos analistas, a empreitada é um passo acertado, pois o movimento global por materiais sustentáveis deve contribuir para o aumento da utilização de fibras têxteis com base de madeira. “A demanda vem crescendo em uma velocidade de 5% a 6% ao ano, o que é o dobro da expansão do mercado tradicional de fibras”, escreveu o analista Leonardo Correa, do BTG Pactual, em relatório.

Palavra do analista:
Correa aponta a diversificação do portfólio como positiva para a Duratex, mas destaca que o retorno deve vir no longo prazo. “É uma linha que levará anos para chegar ao mercado”, escreveu Correa. Com recomendação neutra, ele calcula um preço-alvo de R$ 9,50 em 12 meses para a ação. Na quarta-feira 27, o papel era cotado a R$ 8,32. No ano, a queda é de 9,6%.

 

Seguros

BB Seguridade receberá R$ 2,4 bilhões da Mapfre

Após meses de negociação, a BB Seguridade, empresa de seguros do Banco do Brasil, concluiu na terça-feira 26 a revisão de sua parceria com a seguradora espanhola Mapfre. Pela reestruturação, a Mapfre vai comprar as carteiras de seguros de automóveis e de grandes riscos por R$ 2,4 bilhões. Com isso, o acordo entre as empresas ficará restrita aos segmentos de seguro de vida e rural. A mudança permite à BB Seguridade, presidida por José Maurício Coelho, diminuir o consumo de seu capital em R$ 1,8 bilhão, valor que será distribuído aos acionistas como um dividendo extraordinário. No ano, as ações caem 12,4%.

 

 

Mercado em números

PETROBRAS
US$ 383,5 milhões – É o valor que a estatal vai receber pela venda de ativos no Paraguai para o grupo peruano Copetrol

SUZANO
R$ 4,6 bilhões – É quanto a fabricante de papel e celulose pretende captar com a emissão de debêntures com vencimento em oito anos e remuneração de 112,5% do CDI

MOVIDA
R$ 312,5 milhões – É valor que o Conselho de Administração da locadora de veículos aprovou para o aumento de capital, por meio da emissão de 49,9 milhões de novas ações ordinárias

SÃO MARTINHO
R$ 153,3 milhões – É o lucro da produtora de etanol no quarto trimestre da safra 2017/2018, alta de 28,4% em relação ao mesmo período do ano passado

BANCO INTER
R$ 11,8 milhões – É quanto o banco digital vai pagar aos acionistas em juros sobre o capital próprio, o equivalente a R$ 0,11 por ação