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Primeiro-ministro italiano pede à UE que não cometa erros trágicos na gestão do coronavírus

Primeiro-ministro italiano pede à UE que não cometa erros trágicos na gestão do coronavírus

O primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte - AFP/Arquivos

O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, pediu à União Europeia (UE) que não cometa “erros trágicos” na gestão do coronavírus, em uma entrevista ao jornal Il Sole 24.

“A inércia deixaria para nossos filhos a imensa carga de uma economia devastada”, afirmou o primeiro-ministro ao principal jornal econômico da Itália.

“Queremos estar à altura deste desafio? Então apresentemos um grande plano que apoie e recupere a economia europeia em sua totalidade”, disse.

Conte explicou que, na reunião do Conselho Europeu de quinta-feira, “mais do que uma divergência, aconteceu um enfrentamento duro e franco” com a chanceler alemã Angela Merkel.

A Itália registrou até o momento mais de 9.000 mortes pelo coronavírus, o país mais afetado da Europa e o que registra o maior número de vítimas fatais no planeta.

“Temos que evitar que a Europa cometa erros trágicos. Se a Europa não estiver à altura deste desafio sem precedentes, o edifício europeu em sua totalidade poderia perder a razão de ser”, advertiu.

Os líderes da UE anunciaram na quinta-feira um prazo de duas semanas para alcançar uma resposta comum para conter o impacto econômico do coronavírus, em uma reunião tensa por videoconferência que confirmou a divisão do bloco.

A Alemanha rejeitou a criação dos chamados ‘coronabônus’ e defendeu o uso do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE), o fundo de resgate da zona do euro.

Uma posição rejeitada pela Itália porque, segundo Conte, “não é o que precisamos agora”.

“O MEDE é um instrumento adotado para socorrer os Estados membros que enfrentam tensões financeiras relacionadas com choques assimétricos. O coronavírus, ao contrário, está provocando um choque simétrico, que pode levar à depressão, ao mesmo tempo e de maneira inesperada, nossos sistemas econômicos e sociais”, destacou.

“É uma coisa completamente diferente da crise de 2008. Estamos em um momento crítico da história europeia”, concluiu Conte.

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