Edição nº 1129 12.07 Ver ediçõs anteriores

A primeira década da Enoteca

A primeira década da Enoteca

o casal Lis Cereja e Ramatis Russo comemora nesta segunda-feira dez anos da Enoteca Saint VinSaint

Chamada carinhosamente de Enoteca, a Enoteca Saint VinSaint está em festa. O restaurante do casal Lis Cereja e Ramatis Russo comemora nesta segunda-feira dez anos de um projeto que parece se reinventar a cada temporada e que valoriza, como poucos, os produtos cultivados e elaborados de maneira natural e artesanal. Neste ano, por exemplo, o restaurante deixa de abrir aos almoços para ter tempo para levar boas informações para frente, com cursos, workshops, feiras, e também para aprimorar a brigada e focar na produção de hortifrúti, leites e ovos, como Lis escreve em seu blog.

A casa abriu em 22 de janeiro de 2008, dia de Saint VinSaint, o padroeiro do vinhateiros. E como o tempo passa rápido, lembro que conheci a Lis e o Ramatis antes deste sonho conjunto. Lis e eu tínhamos a mesma confraria de vinhos, um grupo de mulheres que, infelizmente, hoje se encontra muito pouco. Ela já cozinhava bem, dizia que era consequência da faculdade de nutrição, e trabalhava para a vinícola chilena Morandé. Ramatis era um sommelier promissor, que parecia que iria revolucionar a carta do restaurante Emiliano, em São Paulo.

O fato é que a Enoteca abriu em uma pequena casa na Vila Nova Conceição, bairro nobre de São Paulo, então apenas com a Lis e seu plano de valorizar os vinhos biodinâmicos. O casal se formou logo depois, e a Enoteca foi ganhando sua cara atual e se consolidando como um porto seguro para quem quer saber mais, ou simplesmente consumir, produtos sem agrotóxico. Os vinhos tiveram papel importantíssimo nesta trajetória: lembro quando a Lis decidiu só trabalhar com os rótulos naturais, orgânicos e biodinâmicos, muitos deles brasileiros. Foi um marco.

Depois, o casal criou a Naturebas, uma feira que reúne produtores de vinhos (principalmente) brasileiros e estrangeiros, seguidores desta tendência. O evento nasceu pequeno, no espaço do restaurante, mas logo lotou e mostrou que, goste ou não, este é um segmento que tem seus seguidores (ainda bem). Tem lista de espera para cada edição anual da Naturebas.

Outro marco, mas não do vinho, foi quando o casal saiu de São Paulo e foi morar numa chácara. Daí para a Enoteca se transformar em um dos únicos lugares na gigantesca São Paulo, com cozinha 100% orgânica, artesanal e com produção própria, foi um passo. Agora, o que esperar dos próximos dez anos? Tenho certeza que boas surpresas.


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