Prévia do Copom: entenda por que a alta da Selic não tem segurado a inflação

Crédito: Anna Nekrashevich/Pexels

A previsão do mercado é de que o Copom eleve a Selic em 1 ponto porcentual na reunião que termina nesta quarta-feira (16). Mas o efeito deste aumento sobre a inflação tende a ser nulo (Crédito: Anna Nekrashevich/Pexels)



No final da tarde desta quarta-feira (16) o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgará a nova taxa básica de juros da economia brasileira. A previsão de consenso do mercado é que a Selic passe de 10,75% para 11,75% ao ano. Ainda que a variação seja maior (nas últimas reuniões, o Copom elevou a Selic em 1,5 ponto porcentual), a avaliação geral é que ela terá pouco efeito para conter a inflação – principal motivo das seguidas elevações da taxa de juros no País, que estava em apenas 2% no início da pandemia. E  perspectiva de que a inflação continue subindo se deve principalmente ao cenário externo: a invasão da Ucrânia pela Rússia, no final de fevereiro, causou uma disparada nos preços das commodities. A alta, no ano, está calculada em 27% pelo CRB All-Commodity Index. A maior elevação foi do petróleo Brent (51%), seguida do trigo (41%) e do milho (29%).

Ainda que os efeitos da guerra no leste europeu estejam pressionando os alimentos e combustíveis no mundo, a inflação no Brasil tem resistido ao tratamento adotado pelo Banco Central. Em fevereiro, o IPCA ficou em 1,01%. Como os preços subiram antes de Putin invadir a Ucrânia, a conclusão é óbvia: juros mais altos não bastam para desacelerar a inflação. A pergunta então é outra: qual o motivo de continuar subindo a Selic se a inflação teima em não cair?

A resposta pressupõe compreender a relação entre Selic e inflação. Selic é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Esse sistema opera a partir de uma taxa que o mercado considera a taxa básica de juros, por ser usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional. A elevação dos juros é uma medida que tem efeito sobre o consumo, quanto a demanda está aquecida. Juros mais altos encarecem o crédito e, na teoria, forçam uma redução de gastos. Quando é o caso de estimular a atividade econômica, o Banco Central reduz os juros, barateando o crédito. Isso gera mais consumo e investimentos na produção. Infelizmente, no Brasil (e no mundo) de hoje, os preços sobem não por haver demanda e sim pelo aumento dos custos. Neste caso, elevar a Selic tem pouco ou nenhum efeito – como aliás tem ficado claro com a Selic a 10,75% ao ano enquanto a inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), fechou os últimos 12 meses em 10,54%.









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