Edição nº 1057 16.02 Ver ediçõs anteriores

“Presidente perdeu a chance de falar para a história”, diz o senador Cristovam Buarque

“Presidente perdeu a chance de falar para a história”, diz o senador Cristovam Buarque

O senador Cristovam Buarque

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) foi surpreendido pela notícia de que o jurista Miguel Reale Jr., um dos autores do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, teria afirmado que ele seria uma alternativa no caso de eleições indiretas. “Tem de ser alguém de fora do Congresso”, diz Buarque, rechaçando a ideia. O senador falou à coluna sobre o discurso do presidente Temer, que refutou a delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo J&F, e analisou a situação política do País. Acompanhe:

O que o senhor achou do discurso do presidente?

Acho que foi um discurso de um presidente que perdeu a chance de falar para a história e para o bem do Brasil. Foi um discurso medíocre, preso ao presente, que não vai resolver a situação dele e nem do Brasil. Creio que ele vai entrar em uma agonia tipo a do Geddel (o ex-ministro Geddel Viera Lima). Creio que foi um chamamento para o povo ir para a rua. O discurso dele deveria ter mostrado grandeza.

De que forma?

Ele deveria chegar, dizer que ele acha que não fez nada de errado, mas que a opinião pública, no atual clima de desconfiança geral, torna o governo dele impossível, e que, apesar de tudo o que ele fez de bom, dos indicadores da economia, da tentativa de reforma, ele considera não estar em condições de manter o governo funcionando. Portanto, renunciaria e faria um apelo para que os homens de negócios não se deixassem se abater e continuassem investindo, para que o mercado não entrasse em pânico, para que os políticos encontrassem a saída dentro da Constituição. Acho até que poderia dizer mais, ‘aceito renunciar e ficar mais alguns dias enquanto o parlamento toma suas decisões’. Isso teria mais grandeza, evitaria uma agonia pessoal e daria mais fôlego ao País.

O presidente não renunciou ao cargo ou ao foro?

Não adianta ele não renunciar ao foro porque ele vai perder o cargo. É muito difícil que ele mantenha. Ao ver o discurso dele, me lembrei do Bashar al-Assad, da Síria.

Por quê?

Apego ao poder quando tudo ao redor está em polvorosa. As bombas explodindo e ele ali dizendo que não sai.

O senhor acredita que é questão de tempo para Temer sair?

Sim. A não ser que as gravações apareçam e se comprove que é tudo mentira. O que acho muito difícil de acontecer. Mas ele disse uma coisa muito grave no discurso dele. Ele disse ‘eu tomei conhecimento que se pagava ao ex-deputado durante essa conversa’. Ele prevaricou, deveria ter chamado a Polícia Federal naquele momento, denunciar um cara que estava obstruindo a Justiça, pagando uma bolsa mesada para um preso não delatar. Mesmo que ele não soubesse, mesmo que ele não tivesse incentivado, foi um erro muito grave. Aliás, foi um erro receber esse empresário que estava sob suspeita e recebe-lo sem testemunha. Tudo muito suspeito. Igual a conversa do Lula com o Duque (Renato Duque, ex-diretor da Petrobras) perguntando se ele tinha conta no exterior em um hangar, no aeroporto. Tudo muito suspeito.

O jurista Miguel Reale Jr., um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, diz que o nome do senhor seria uma alternativa para as eleições indiretas. O senhor estaria pronto?

Creio que, se cumprirmos a Constituição como ela é e fizermos a eleição indireta, nenhum congressista deveria ser candidato.

Quem deveria?

Alguém de fora do Congresso.

O senhor teria algum nome?

Não tenho e, se tivesse, não diria. Mas tem de ser alguém que seja conhecido, que tenha competência e que o País bata palma.


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(Nota publicada na Edição 1057 da Revista Dinheiro, com colaboração de: Gabriel Baldocchi)
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