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Presidente da Tunísia diz que não se tornará ditador após prisão de parlamentar

Presidente da Tunísia diz que não se tornará ditador após prisão de parlamentar

Apoiadores do principal partido da Tunísia, o Ennahda, durante confronto com apoiadores do presidente do país, Kais Saied, em frente ao Parlamento

Por Tarek Amara e Angus McDowall

TÚNIS (Reuters) – O presidente da Tunísia, Kais Saied, prometeu nesta sexta-feira que não se tornará um ditador e rejeitou as acusações de ter dado um golpe, após a prisão de um parlamentar.

A Tunísia ingressou em uma crise política no domingo após a decisão do presidente de demitir o primeiro-ministro e congelar o Parlamento por 30 dias, levando os principais partidos a acusá-lo de golpe.

Saied ainda não deu os passos que os críticos dizem ser necessários para tranquilizar os tunisianos, incluindo a nomeação de um primeiro-ministro interino e um roteiro para acabar com as medidas de emergência.



“Eu conheço muito bem os textos constitucionais, respeito-os e ensinei-os, e depois de todo este tempo não vou virar ditador como alguns disseram”, disse o ex-professor de Direito, de acordo com a Presidência tunisiana.

As preocupações com os direitos e liberdades na Tunísia, uma democracia desde a revolução de 2011, aumentaram nesta sexta-feira após a prisão do parlamentar e influente blogueiro Yassin Ayari e o anúncio de investigações de pessoas que protestaram contra as ações de Saied durante uma manifestação na segunda-feira.

O Judiciário militar disse que Ayari foi preso por uma decisão judicial emitida há três anos por difamar o Exército. Saied removeu no domingo a imunidade dos membros do Parlamento, abrindo caminho para que sejam presos.

Na segunda-feira, o maior partido no Parlamento, o islâmico moderado Ennahda, fez uma manifestação em frente ao Parlamento após o prédio ser cercado pelo Exército. Centenas de apoiadores do Ennahda e Saied se enfrentaram, alguns jogando pedras ou garrafas.

O Judiciário disse que abriu investigações sobre quatro pessoas ligadas ao Ennahda por “tentativa de cometer atos de violência” durante o protesto, incluindo um membro de um conselho do partido e dois membros com ligações com seu líder.

O movimento de Saied para tomar o controle executivo do país parece ter amplo apoio popular na Tunísia, onde anos de mau governo, corrupção, paralisia política e estagnação econômica foram agravados este ano por um aumento de casos e mortes de Covid-19.

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