Economia

Presidente da Caixa espera obter participação de 70% no crédito imobiliário de PJ

Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

De acordo com Guimarães, a redução do prazo das carteiras de crédito imobiliário também reduz o risco das operações (Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil)

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou há pouco que a instituição tem a expectativa de alcançar em 2020 participação de 70% no crédito imobiliário para pessoas jurídicas. Em 2019, segundo ele, essa participação, levando-se em conta os novos contratos fechados, ficou em 30%, ou R$ 4,9 bilhões.

Para cumprir este objetivo, a Caixa anunciou hoje a redução das taxas de juros para financiamentos imobiliários para empresas, nos contratos indexados à taxa referencial (TR). As taxas caíram de 9,25% para 6,50% ao ano mais a TR, no caso de empresas com relacionamento com a Caixa, e de 13,25% para 11,75% no caso das pessoas jurídicas sem relacionamento. Isso vale para contratos de financiamento de construção de imóveis.

Além disso, a Caixa anunciou o lançamento de contratos indexados ao IPCA para empresas – algo que antes estava disponível apenas para pessoas físicas -, com taxas de 3,79% ao ano para quem tem relação com a instituição e de 7,80% para quem não tem.

Outra novidade é que a Caixa lançou opções de financiamento imobiliário para empresas com indexação no CDI. As empresas poderão fechar contratos com custo de CDI mais um cupom de 1,48% ao ano para as pessoas jurídicas com relação com a Caixa e de CDI mais 5,40% ao ano para aquelas que não possuem relação. Existe ainda a possibilidade de contratos ligados a um porcentual do CDI – no caso, 119% para quem possui relação com o banco e 194% para quem não possui.

De acordo com Guimarães, a Caixa conseguiu lançar contratos com indexadores diferentes da TR porque o prazo médio das carteiras de crédito imobiliário também tem diminuído.

“No crédito imobiliário (para pessoa física), por exemplo, você pode abater o saldo com FGTS a cada dois anos”, pontuou. “A competição entre bancos também tem diminuindo o prazo médio das carteiras de crédito imobiliário”, acrescentou, em referência à portabilidade de crédito imobiliário, que tem crescido entre as pessoas físicas.

De acordo com Guimarães, a redução do prazo das carteiras de crédito imobiliário também reduz o risco das operações. “Queremos gerar discussão entre as diferentes oportunidades (de financiamento imobiliário para empresas). Quanto mais opções oferecemos, mais podemos discutir qual é a melhor opção de preço”, comentou.

De acordo com Guimarães, as próprias construtoras estavam demandando a redução dos juros do crédito imobiliário para pessoas jurídicas. “Em 2006 e 2007, tivemos movimento de abertura forte de capital de empresas de construção na bolsa. Estamos vendo hoje movimento similar”, comentou. “Várias empresas estão abrindo capital. Mas a capitalização em si não é suficiente. A Caixa vai permitir que o aumento de capital pelas empresas seja seguido pelo aumento do volume de crédito”, acrescentou.

1ª securitização de crédito imobiliário com IPCA

O executivo também afirmou que a instituição se prepara para realizar em março a primeira securitização de contratos imobiliários indexados ao IPCA – o índice oficial de inflação. Segundo ele, a securitização terá valor próximo de R$ 1 bilhão.

No ano passado, a Caixa começou a ofertar aos clientes pessoas físicas a possibilidade de fechar financiamentos imobiliários indexados ao IPCA – e não à taxa referencial (TR), que era tradicionalmente utilizada para atualização de valores.

Com isso, a Caixa esperava dar mais opções aos clientes e, ao mesmo tempo, ter mais chances de securitizar estes contratos. Na prática, quando um cliente faz um financiamento imobiliário, o banco fica com a dívida, que em tese pode ser repassada a outras instituições (securitização). Nos contratos indexados à TR, no entanto, os bancos sempre encontraram dificuldades na securitização. Como o IPCA é um indexador mais comum no mercado financeiro, a securitização se tornou mais viável.

De acordo com Guimarães, a Caixa possui hoje um estoque próximo de R$ 6,5 bilhões nas operações de crédito imobiliário com IPCA. Deste total, cerca de R$ 1 bilhão será securitizado em março.

“Não estamos mais restritos no crédito imobiliário pelo funding da poupança”, comentou Guimarães durante coletiva de imprensa. “Quando você empresta pela TR, você tem funding muito ligado à poupança. Quando empresta pelo IPCA, não.” Segundo ele, a Caixa está se preparando para o movimento de securitização de crédito no Brasil.

Na tarde de hoje, a Caixa anunciou a redução das taxas de juros para financiamentos imobiliários para empresas, nos contratos indexados à TR. Além disso, anunciou o lançamento de contratos indexados ao IPCA para empresas – algo que antes estava disponível apenas para pessoas físicas -, além de opções de financiamento com taxas ligadas ao CDI. Estes financiamentos são voltados para a construção de imóveis.

Contratos imobiliários com CDI à PF

A instituição ainda não estuda o lançamento de contratos de financiamento imobiliário para pessoas físicas indexados ao CDI. Mas ele não descartou que isso possa ocorrer no futuro.

“Poderemos, sim, evoluir em contratos imobiliários com CDI para pessoa física, mas isso ainda não está em discussão”, comentou, durante coletiva de imprensa. Atualmente, a Caixa oferece financiamentos imobiliários para pessoas físicas indexados à taxa referencial (TR) ou ao IPCA (o índice oficial de inflação).

Na tarde de hoje, a Caixa anunciou a redução dos juros cobrados em contratos ligados à TR para o caso dos financiamentos para pessoas jurídicas. Além disso, lançou contratos de financiamento imobiliário para empresas indexados ao IPCA e ao CDI.

No caso das pessoas físicas, Guimarães afirmou que a Caixa quer apostar nos segmentos de financiamento ligados ao IPCA e nos contratos prefixados (taxa de juros fixa, sem indexação). Segundo ele, os contratos prefixados devem ser anunciados na próxima semana. “Semana que vem faremos anúncio importante”, afirmou.

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