Economia

Presidente da ATP: “Temos que torcer para o programa de desestatização dos portos brasileiros”

Crédito: Divulgação

A expectativa do presidente da ATP é de alta ainda maior na movimentação das cargas nos portos particulares até o fim do ano, com a safra recorde de grãos (Crédito: Divulgação)

O presidente da Associação dos Terminais Portuários Privados (ATP), Murillo Barbosa, participou da live da IstoÉ Dinheiro nesta quinta-feira (22). Na entrevista ao editor-assistente da revista, Sérgio Vieira, Barbosa fez uma análise do cenário brasileiro do transporte marítimo de cargas e opinou sobre as amarras e oportunidades que o setor tem para seguir o caminho no pós-pandemia.

Por via marítima, foram realizadas quase 75% de todas as transações brasileiras no primeiro semestre deste ano. A expectativa do presidente da ATP é de aumento ainda maior na movimentação das cargas nos terminais particulares até o fim do ano, com a safra recorde de grãos.

“Se nós queremos o bem do Brasil, temos que torcer para o programa de desestatização dos portos brasileiros”, afirmou.

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Almirante, Barbosa apresentou os dados de crescimento dos Terminais de Uso Privado (TUPs) e comentou sobre o aumento de 9,2% na balança comercial por via marítima em comparação ao primeiro semestre de 2019.

Para ele, o País é atrativo para investimentos desde que tenha regras desburocratizadas, celeridade na aprovação dos projetos e a criação de um ambiente mais previsível para obtenção de licenciamentos ambientais. “Às vezes, as licenças levam anos para serem efetivadas”, diz.

Entre os fatores do crescimento do setor, disse ele na live, estão a alta na movimentação de soja (32,6%) e de petróleo e derivados (23,6%).

Em volume, a alta foi de 11,8 milhões de toneladas. A maior parte da movimentação de cargas saiu pelos portos privados. Ou seja, dos 515 milhões de toneladas, 350 milhões passaram pelos pelos terminais privados – crescimento de 6,8% no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. O que mostra a importância do segmento portuário no País, cada vez mais eficientes e mais competitivo.

Ao certo, a exportação de commodities é uma contribuição fundamental dos portos à balança comercial brasileira e pode garantir o superávit no comércio exterior do Brasil. Os terminais privados comandaram a movimentação portuária brasileira em 2019, sendo responsáveis por 66% da movimentação total de cargas do ano passado e registram crescimento médio anual de 3,4% nos últimos nove anos.

Ao longo do último ano, mais 20 novos terminais privados foram autorizados a operar, o que representa uma carteira de investimento de R$ 1,5 bilhão. E a tendência é ir além, passada a crise sanitária do coronavírus.

Na live, Barbosa falou sobre a retomada dos programas de concessões de infraestrutura no País. “Um de nossos maiores gargalos é a questão de infraestrutura e logística de acesso aos portos” – leia-se, a movimentação terrestre de cargas, seja elas por estradas ou ferrovias. Para o presidente da ATP, “o País, pela falta de recursos, tem que atrair o capital externo para o transporte marítimo para para que se viabilize por concessões e criar eixos logísticos mais eficientes”, avalia.

Durante a conversa, ele também falou sobre a perspectiva do governo federal de desestatização dos portos, dos arrendamentos e da gestão do Porto de Santos, maior terminal portuário da América Latina, que, provavelmente será entregue à iniciativa privada em 2022. “Temos que desamarrar as concessões dos portos brasileiros”, entende.

Barbosa comentou sobre o forte potencial dos terminais da região Norte do País, local onde a ATP desenvolve o projeto Barra Norte, que visa aumentar a profundidade do canal do Rio Amazonas para que as embarcações possam sair mais carregadas com mercadorias.

A ideia é gerar diminuição dos custos logísticos e maior competitividade aos produtos brasileiros. “Está tendo um movimento de descoberta do eixo logístico para o Norte”, avalia.

Murilo Barbosa também comentou sobre o programa PRO Brasil, do Ministério de Infraestrutura. Ele considera a iniciativa positiva para o setor, principalmente, em razão das duas frentes de trabalho: Progresso, que inclui obras necessárias e investimentos na multimodalidade; e Ordem, que propõe medidas para o aprimoramento da regulação, fiscalização e do ordenamento jurídico para a atração de investimentos e melhorias no ambiente de negócios.

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