Economia

Presidente argentino respalda endurecimento de política cambial

Presidente argentino respalda endurecimento de política cambial

Presidente argentino, Alberto Fernández - AFP

O presidente argentino, Alberto Fernández, apoiou nesta quarta-feira as medidas do Banco Central que buscam barrar a compra de divisas ao indicar que o país sul-americano precisa delas para o setor produtivo.

“São necessários dólares para produzir, não para economizar”, disse o presidente durante cerimônia pública.

O Banco Central informou na terça-feira que uma retenção de 35% do imposto de renda será aplicada para compras de moeda estrangeira.

Essa sobretaxa se soma a outro imposto de 30% que já era aplicado na compra de dólares para poupança, que pode ser feita até uma cota equivalente a 200 dólares mensais.

A medida foi adotada para conter o escoamento das reservas do Banco Central, que tem em seu Tesouro 42,495 bilhões de dólares, de acordo com o último balanço.

“Construímos essa lógica da economia, uma economia que não promove mais especulação e quer que o dólar deixe de ser um mecanismo de especulação e uma variável com a qual alguns acumulam”, disse Fernández.

A moeda argentina foi negociada nesta quarta-feira a 79,55 pesos por dólar norte-americano no mercado oficial, mas com a aplicação do imposto e a retenção na fonte atingiu 131,25 pesos.

De acordo com as últimas medidas, as compras com cartão no exterior também serão calculadas sobre a cota mensal de 200 dólares.

Um pacote de controles também foi implantado em movimentos em contas em moeda estrangeira. As medidas visam restringir a demanda por dólares dos argentinos que buscam na moeda um refúgio seguro de valor contra a inflação, que deve fechar 2020 em torno de 40%.

Nos últimos meses, o Banco Central perdeu reservas à taxa de 150 milhões de dólares por mês.

A cota mensal equivalente a 200 dólares foi imposta nas últimas semanas do governo do ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019) para conter a fuga de divisas.

Segundo relatório do Banco Central, a fuga de divisas triplicou entre 2015 e 2019 e chegou a 86 bilhões de dólares nesses quatro anos.

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