Revista

Presentinho para Flávio

Crédito: Mateus Bonomi

Papai Bolsonaro parou de gritar. Já surtiu o que ele queria do STF. Estava prevista para terça-feira (14) o julgamento de uma ação envolvendo o filho senador (Flávio) no inquérito que apura o crime de rachadinha. O STF julgaria se o inquérito voltaria à 1a instância do Rio de Janeiro ou seria escalado para o foro privilegiado — o próprio STF já decidiu que só atinge esse status crimes praticados durante o mandato, e o inquérito se refere a ações de Flávio enquanto deputado estadual. A defesa, no entanto, afirma que os cargos de deputado estadual e de senador estão sob a mesma legislatura, que seria apenas uma troca de “casa legislativa”. É como dizer que mandato eletivo é cargo vitalício (se bem que na prática é o que acontece mesmo). No Rio, Flávio estaria sob julgamento do juiz linha dura Flávio Itabaiana. Ao cair da pauta do STF, o tema só deverá voltar à pauta com um novo ministro, indicado por papai, na corte. Quem não colocou a ação para votar? Kassio Marques.

SOLUÇÕES À BRASILEIRA
Nasce uma estatal para vender uma estatal

Sundry Photography

Não ter o Nobel de Economia para o Brasil a gente entende, mas se houvesse o de Alquimia já teríamos uma lista insuperável de vencedores. Para estatizar a Eletrobras o Brasil acaba de criar uma estatal, a ENBpar. O novo monstrengo nasce porque sob a Eletrobrás estão Itaipu e a Eletronuclear, e as duas legalmente não podem ser colocadas à venda. A primeira porque tem como sócio o Estado paraguaio. A segunda porque energia nuclear no Brasil é monopólio da União. Até aí tudo bem. O restante já se sabe onde vai dar… A promessa da pasta da Economia é que a estatal seja uma empresa “enxuta”. Como os verbos em Brasília são conjugados no espelho, e significam quase sempre o oposto do que foi dito, a ENBpar surge com um pequeno orçamento de R$ 4 bilhões e número incerto de funcionários.

COMÉRCIO EXTERIOR
A China é logo ali

Istock

Enquanto a diplomacia nacional sob Bolsonaro decidiu transformar em saco de pancadas a China e o governo argentino de Alberto Fernández e Cristina Kirchner, os dois países estreitam seus laços comerciais. No ano passado, os chineses alcançaram o Brasil como principais exportadores para os vizinhos. Do total de importações da Argentina, Brasil e China respondem por 20,4% cada. Mas nos primeiros sete meses deste ano, Pequim já passou à dianteira: os argentinos compraram US$ 6,9 bilhões de produtos chineses contra US$ 6,8 bilhões dos brasileiros.

QUEM MANDA NA PETROBRAS

Na segunda-feira (13), o presidente da Câmara, Arthur Lira (Centrão), disse que a “Petrobras deve ser lembrada que os brasileiros são seus acionistas”. Ou ele mente, ou ele ignora a verdade. Se considerar a participação de cada perfil acionista, o brasileiro comum tem menos de 10%. E misturar aqui Estado com cidadão é maldade.

DERROTA DUPLA
MP das fake news cai no senado e no STF

“Fake news faz parte da nossa vida. Não precisa regular isso aí. Deixemos o povo à vontade…”

Brasília leu como derrota dupla de Bolsonaro as decisões do Senado e do STF tomadas na terça-feira (14) contra a chamada Medida Provisória (MP) das Fake News. Editada pelo presidente dia 6 de setembro, ela alterava o Marco Civil da Internet para limitar a remoção de conteúdos publicados nas redes sociais — traduzindo: deixar correr solto a desinformação e a mentira deslavada. O presidente do senado, Rodrigo Pacheco, decidiu devolver a MP ao Planalto. Na mesma terça-feira (14), no STF, a ministra Rosa Weber suspendeu seus efeitos. Isso vai durar até o julgamento das oito ações que contestam a medida no Supremo apresentadas por seis partidos (Novo, PDT, PSDB, PSB, PT e Solidariedade), pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e pela Ordem dos Advogados do Brasil.

ESTE É O POVO À VONTADE…

Divulgação

Deprimente. O caminhoneiro acima chora de felicidade ao ser informado de que o presidente havia decretado (como se pudesse fazer isso na canetada) Estado de Sítio no 7 de setembro, em acampamento na manifestação pró-Bolsonaro, em Brasília. Era fake news.

HÁ MILITARES E MILITARES
General americano costurou para segurar Trump

Saul Loeb

De um lado, Pazuello, Braga Netto, Mourão, Ramos, Heleninho… De outro, Mark Milley. O principal oficial militar dos Estados Unidos precisou agir nas sombras por duas vezes no final do governo Donald Trump com medo de que o presidente americano pudesse desencadear uma guerra com a China. Em dois telefonemas secretos, Milley afirmou a seu equivalente chinês, o general Li Zuocheng, que os Estados Unidos não atacariam os asiáticos. As informações fazem parte do livro Peril (Perigo), dos jornalistas do Washington Post Bob Woodward e Robert Costa. O primeiro telefonema ocorreu em 30 de outubro de 2020, dias antes da eleição presidencial. O outro em 8 de janeiro de 2021, dois dias após o cerco e invasão ao Capitólio realizados pelos apoiadores de Trump.

Us$ 305 BILHÕES

Valor da dívida da segunda maior incorporadora imobiliária chinesa, a Evergrande, o que levou a empresa a assumir que pode não entregar até 1,5 milhão de imóveis já contratados. As ações da companhia fundada em Hong Kong em 1997 caíram 80% apenas este ano. Na terça-feira (14), a Evergrande informou em nota ter contratado um time de consultores financeiros para avaliar todas as alternativas para sair da crise.

Daryan Dornelles“Saúde fiscal não é um tema ideológico. O brasil gasta com salário e previdência 80% dos seus recursos” “Não consigo entender quem não defende avaliar servidor público. Isso está há 23 anos esperando” Arminio Fraga. (Crédito:Daryan Dornelles)