Agronegócio

Prejuízo da Heringer mais do que dobra no 1º tri, para R$ 204,99 milhões

São Paulo, 16 – A Fertilizantes Heringer registrou prejuízo de R$ 205 milhões no primeiro trimestre desde ano, informou a companhia na segunda-feira, 15. O prejuízo mais do que dobrou em relação ao verificado em igual período do ano passado, de R$ 91,55 milhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi positivo em R$ 3,42 milhões, ante um resultado negativo de R$ 61,64 milhões no primeiro trimestre do ano passado.

A companhia atribuiu o prejuízo ao resultado financeiro, que foi negativo em R$ 232,35 milhões, principalmente por causa da desvalorização cambial no período. “As despesas de variação cambial e juros ocorreram em consequência da dívida inscrita na recuperação judicial”, disse a Heringer em comunicado, acrescentando que esses montantes não têm efeito caixa por se tratarem de dívidas de longo prazo. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial em fevereiro, devido a dificuldades financeiras. No primeiro trimestre de 2019, as despesas financeiras tinham sido de R$ 22 milhões.

A receita líquida da Heringer quase triplicou no primeiro trimestre na comparação com igual período do ano passado, para R$ 387,07 milhões. O desempenho refletiu um aumento expressivo do volume entregue, que passou de 83 mil para 272 mil toneladas.

Quanto à pandemia de covid-19, a Heringer disse que ainda há incertezas relacionadas ao seu possível impacto nos diversos negócios da companhia. “Porém, até este momento não há indícios de qualquer impacto potencial negativo que possa vir a afetar significativamente as operações da companhia”, disse a Heringer. “A companhia vem operando suas unidades fabris de forma regular, sem nenhuma interrupção neste período de pandemia.”



A Heringer disse que uma das consequências econômicas observadas durante a pandemia e que afetam o mercado agrícola e de fertilizantes foi a forte valorização do dólar ante o real. “A atual taxa de dólar vem causando aumento dos custos de fertilizantes, cujas matérias-primas são essencialmente importadas (acima de 80% no ano de 2019)”.

A companhia observou ainda que até agora não identificou qualquer impacto logístico negativo sobre as compras e vendas. “Ao contrário, observa-se um expressivo crescimento nos programas mensais quando comparados aos mesmos períodos do ano anterior.”

Para 2020, a empresa estima que os volumes no mercado brasileiro de fertilizantes ficarão ligeiramente acima dos verificados em 2019.

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