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POTÊNCIA NACIONAL

O lançamento do Viagra em junho de 1998 no Brasil foi cercado de muita expectativa, mas o laboratório Pfizer não previa um sucesso tão grande. A combinação entre o Viagra e o mercado brasileiro revelou-se explosiva. As vendas do medicamento usado no tratamento da impotência sexual deverão encerrar o ano com US$ 90 milhões, metade do que a indústria espera faturar no Brasil. A julgar pelo avanço da pílula azul nas farmácias, os resultados só tendem a crescer. O volume de negócios do remédio aumenta 5% mensalmente. Quer dizer, doze mil novos ? e fiéis ? compradores de Viagra entram no mercado a cada 30 dias. Embalada por esse fenômeno, a Pfizer decidiu investir US$ 3,2 milhões na fabricação local do produto. Desde o início de maio, a subsidiária está abastecendo a demanda interna e iniciando as exportações para toda a América Latina.

O presidente do laboratório no Brasil, César Pretti, costuma gabar-se do êxito obtido pelo medicamento no mercado brasileiro. ?Lançam-se muitos produtos no Brasil, mas nenhum teve o sucesso do Viagra. Duvido que esse fenômeno possa ser repetido.? A grande representatividade do Viagra na receita da filial brasileira não se repete no resto do mundo. Segundo maior laboratório do planeta, a Pfizer obteve, em 2000, perto de US$ 11 bilhões com as vendas do remédio Lipitor, usado no controle do colesterol, do anti-hipertensivo Norvasc e do antidepressivo Zoloft. Ou seja, 44% de sua receita mundial de US$ 25 bilhões. O Viagra rendeu cerca de US$ 1 bilhão no ano passado. No Brasil, a posição do medicamento é mais privilegiada. Um fato que a empresa vem encarando como uma possível tendência de mercado. Embora a patente do Vaigra só vença em 2013, seu maior teste está para acontecer em breve. Concorrentes prometem o lançamento de produtos desenvolvidos com princípios ativos diferentes, mas com a mesma função. É o caso do Abbott, que está apresentando o Uprima, e da Bayer, que anuncia para breve o Vardenafil. A Novartis já ciscou no mercado com o Regitina, que não ganhou espaço nas farmácias por causa dos efeitos colaterais apresentados.



Pesquisas indicam que metade da população masculina acima de 18 anos pode apresentar algum grau de disfunção erétil. Quer dizer, só no Brasil mais de 11 milhões de homens se enquadrariam como clientes do Viagra. O dado sinaliza as enormes possibilidades do produto, embora as vendas ainda estejam concentradas entre homens de mais de 40 anos e idosos. Hoje, o medicamento é distribuído em 100 países. O Brasil é o quarto maior consumidor do medicamento no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. Para facilitar as vendas, a Pfizer vem patrocinando pesquisas sobre sexualidade. Afinal, a educação sexual e a naturalidade na abordagem do tema da impotência favorecem o consumo do produto.



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